Temos que ser gratos por Jair Bolsonaro

AGORA QUE VOCÊ PASSOU DO TÍTULO SENSACIONALISTA, VAMO LÁ:

Digo, novamente, que esse texto apresenta SOMENTE as MINHAS OPINIÕES PESSOAIS sobre o assunto tratado.

Eu não odeio Jair Bolsonaro, que fique claro. Odeio suas ideias, odeio o que ele representa, mas, me livrando de todas as noções sociais, e falando puramente como espiritualista: eu não posso odiá-lo, por mais que ele me dê motivos.

Veja, eu realmente acredito que bandido bom é bandido reintegrado na sociedade. Como poderia, então, desejar que Jair Bolsonaro morresse? Eu acredito realmente que tortura é algo nefasto, impraticável e grotesco em todos os sentidos, então, como poderia desejar que Jair Bolsonaro fosse torturado cruelmente apenas por um gosto de vingança pessoal?

Vou repetir: ESPIRITUALMENTE falando, pessoas como Bolsonaro aparecem para nos testar. Socialmente falando ele é um cuzão mesmo, sem dó. Mas, aos testes voltamos: será que estamos alinhados mesmo com os nossos ideais, ou cederemos às influências das sombras? Não vou mentir, tem uma parte de mim que realmente gostaria de quebrar cada ossinho do corpo daquele homem, mas eu controlo essa parte minha (graças a Deus, apesar de ter Marte e Ascendente em Áries), principalmente porque eu sei que meus comportamentos negativos não me definem como ser humano.

Agora, uma das coisas que eu venho fazendo ultimamente, é me livrar de qualquer comportamento ou crença ou ideia que não esteja alinhada com algo que eu REALMENTE acredite. Acredito na redenção, acredito na regeneração, acredito na paz (embora muitas vezes eu seja um pessimista), e acredito no amor. Como poderia, então, eu, como pessoa, dentro das minhas crenças espiritualistas, nutrir ódio por outro ser humano?

Puta que pariu, complicou.

O ponto é: Por trás de figuras como Jair Bolsonaro há o que? O que o motiva a reproduzir todos os dicursos de ódio e intolerância? Suas ideias. Ideias são raízes, pessoas que seguem tais ideias são galhos, o que elas produzem são frutos. Sabe a expressão “Cortar o mau pela raiz”? Então, não se combate ideias atacando pessoas. Ideias são combatidas com ideias.

Respira fundo.

Jair Bolsonaro traz à tona o pior que há em nós. Pessoas contra a tortura gostariam de tortura-lo. Pessoas pacifistas querem espanca-lo. Ouso dizer que até um monge budista pensaria em dar uns tapas na cara dele (mas não o faria). Como reagir diante de uma pessoa que, inegavelmente, tem o poder de trazer à tona o pior nas pessoas, sejam elas contra ou a favor das ideias de Bolsonaro?

Simples: não haja igual a ele, e não nutra a ideia de que a sua revolta e desejo de violência é mais justa do que a dele só porque você considera o seu ponto de vista certo. Sua verdade é tão falsa para ele quanto a dele é para a sua, então não se torne um porta-voz das ideias nefastas que ele representa. Não deturpe sua verdade assimilando partes de uma verdade que você não concorda. Não deseje a morte do mensageiro.

“Aquele que combate monstros corre o risco de tornar-se um monstro, e quando você encara o abismo, o abismo encara de volta”, já dizia o velho bigodudo alemão.

Aos Bolsonaro, desejo apenas que um dia encerrem esse ciclo de reprodução de ideias pavorosas. Às suas ideias, porém, desejo somente o que elas desejam aos outros: morte, destruição e obliteração completa.