Em tempos de insensibilidade

Sentando num self-service aqui em Brasília, uma menina, creio de uns 12 anos, pele parda, “moço, você pode me comprar uma marmita”. Nem pensei “claro que sim! Vamos lá” E ela foi comigo até o buffet, olhos brilhado pegou uma quentinha, preencheu com arroz, uma colher de feijão, carne, batatas fritas e salada. Olhei para o lado de fora, e uma trupe de coleguinhas miúdos, talvez irmãos, aguardavam ansiosos. “Olha pega mais uma quentinha. Assim não vai dar nem para o cheiro, né!” A menina abriu um sorriso fabuloso, e brilharam ainda mais os olhinhos de felicidade, pegando mais arroz, mais uma colher de feijão, carne, batatas fritas e salada para arrematar. Dali a pouco uma pessoa veio me cumprimentar pela atitude, no que outras mais, rabugentas, resmungavam coisas ininteligíveis… como são estes últimos, verdadeiros fantasmas famintos (de amor)