Escrever é aprender a morrer

{diário de ilusões}

~ Escrever… é se desprender de tal necessidade. Talvez seja essa transição indefinida quando se é leitor e: passamos de um modo a outro de existência e nos damos conta da dimensão exata em que se inscrevem nossos gestos; num lampejo pouco se vê exatamente, mas nos tornarmos cativo de outro​ domínio que escapa ao frenesi dos dedos e desejos... Escrever, portanto, é também fugir as tentações entre os caminhos. Apenas escrevendo​ deixo de pensar nessa triste ideia de que o faço apoiado algures em certo "leitor"; quando escrevo sou aquele que lê e busca dissuadir a deixar de faze-lo. A cada frase – às vezes, cada palavra – sou o leitor que interrompe o ato e o julga inútil. Atiro-me ao fogo! Quanto esforço por nada! Horas e mais horas olhando páginas, contracapas e janelas, para quê? ] … "com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida." … [ Escrever é isso: desperdiçar o próprio tempo cultivando ilusões. Não escrever é pior ainda: é assumir a vergonha do mundo sem nunca chegar a dize-la. Infelizmente, prefiro sempre o primeiro.