O complexo prende-se com o medo (incutido desde a infância) de não se ser capaz de valorização social, no sentido do sucesso económico, e a síndrome, no seu epítome, clarifica o ódio por tudo que não seja ouro e não traduza a ascensão social por via dos bens que o ouro autoriza, revertendo em “regeneradora” fobia o que se apresentava como um handicap de Midas: a amputação da sua sensibilidade.
Pequenos passos para uma ecologia política
antonio cabrita
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Fenômeno esse, atualíssimo, nos leva a pensar na ineficácias dos discursos que se impregnam de valores humanos, visando “pôr o dedo na ferida” daqueles cuja consciência da dor do outro não se faz, ou nunca se fez, presente, ou como epicentro da própria vida. Vê-se por aqui comentadores e analistas do caos sobreporem suas visões de mundo (grande parte humanistas) àquelas manifestações de ódio discursivo, donde o efeito mais efetivo é a soberba indiferença ou regozijo destes que se julgam alvo das críticas, seja pelos atos insensíveis e de ressentimento social, seja pelas idiotices ditas com base ódio pelo ouro perdido. É coisa para se pensar; exatamente, como exercer as diferenças, sem cutucar o medo, e ter um exercício possível de viver (sobretudo, aos pretensos neo-liberados); valorizar diálogos e tomadas de consciência. Penso cá comigo, não é exercício fácil seguir resistindo a estupidez daqueles que passam a vida irrefletidos no seio da própria experiência.

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