palavras à toa

{do caderno das “poesias inúteis”}

Há de se cuidar nas palavras
aquela sede de orvalho
das manhãs que não tardam
a desaparecer nos dias de ontem.

Se sou lágrimas ou carvalho
no gesto com que tu lavras
em mim, quero ainda expressar atrasos
no estorno das horas desperdiçadas em ti.

Afinal na gestão dos encantos
descoloridos os dias se vão,
mesmo assim, e de través nesta cama
celebra a angústia sem mim.

Não confundas o ser que deprime,
aqui interdito, nesta aura de vida
de onde pensas vê-lo ressentido
nada mais é que tristeza escondidas aí.

Pouco importa se valho um tanto,
assim são os prenúncios de hoje,
e já não valem mais nada enquanto
busca assenhorar-se de certo orgulho distante.