Sábado

Hoje eu vi o sol nascer no reflexo dourado do seu cabelo enquanto pensava em tudo que me levou àquele momento. Vez ou outra você se espreguiçava e me procurava com as pernas, sem abrir os olhos. A sua pele quente na minha traz um pouco de paz.

Mas a paz, ela é tão efêmera quanto o calor da xícara de chocolate quente que eu não levantei pra fazer, com receio de te acordar. Em breve eu mergulho novamente no abismo que é tentar entender alguma coisa, qualquer coisa, sobre eu e você.

Teu olho verde preguiçoso abre devagar, encontra o meu castanho inchado de passar a noite em claro, e eu sei, tudo isso talvez seja em vão. Mas você busca a minha mão entre as suas, e fecha novamente os olhos enquanto me puxa gentilmente pro teu encaixe.

O abismo vai ter que esperar.

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