Afinal: o que é medo?

Segundo a Wikipédia, o medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto física como psicologicamente.

O medo é uma emoção básica do ser humano. Então, antes que você me diga que não quer sentir medo, tenho que lhe dizer, que esta emoção acontecerá ou já aconteceu na tua vida. Com certeza, todos temos medo de algo. Pode ser, contudo, que o medo não esteja latente na fase ou na situação atual em que nos encontramos, mas existem pessoas que só de pensar na palavra medo, sentem medo. É o medo do medo. Outras não querem nem ouvir ou falar neste assunto para nem chegarem a sentir nada.

Penso que sei quem é responsável por isso: é só lembrarmos que uma das canções de ninar que cantamos para as crianças — Nana neném que a cuca vem pegar… — já lhes apresenta o medo, o qual usamos para contê-las, e desde então aprendem o medo de uma maneira inadequada.

Por outro lado, Molly Wigand, autora do livro “Por que ter medo?”, ensina de uma maneira muito bacana para as crianças que quando estamos com medo o nosso corpo faz coisas estranhas: sentimos as palmas das nossas mãos suadas, o coração pode bater mais rápido, temos dor de estômago ou de cabeça, dificuldade em respirar, podemos ficar trêmulos, as mãos e os pés formigam. Diz que são reações humanas bem normais e que todos as temos em certas fases da nossa vida.

O que precisamos é entender que o medo vai nos acompanhar na vida. Pode estar nos dizendo que existe alguma área da nossa vida que precisa ser desenvolvida. Por exemplo, se nosso medo da solidão é muito intenso, pode ser que estejamos precisando aprender a sermos, nós mesmos, o nosso melhor amigo. Noutras vezes, o medo pode ser o nosso protetor, nos alertando para algum perigo real que está acontecendo. Se nunca sentirmos medo, provavelmente não evitaremos os riscos reais. Precisamos saber como perceber a realidade de uma maneira adequada para saber como escolheremos agir, e o medo pode nos ajudar nisso.

Na psicoterapia podemos ser ajudados a observar a nossa mente quando sentirmos medo e a buscar alternativas. O que ela — a mente — está nos contando? O que isso está gerando em nós? Quais escolhas temos? Ao entendermos que a nossa mente produziu pensamentos monstruosos, podemos nos conectar conosco mesmos, acalmar a mente, perceber a situação em nossa volta e escolhermos a melhor ação.

Tenho dirigido vivências grupais com o tema “Cena Temida: Qual é a sua?”. Em cada vivência procuramos trilhar um caminho que leve as pessoas a identificarem seus medos, olharem bem para eles, e em seguida buscarem alternativas criativas para enfrentá-los. São eventos abertos ao público e, se estiver em São Paulo, você pode participar também.

Recomendo que assista o vídeo “O que são emoções” do canal Minutos Psíquicos!, que em 4 minutos explica muito bem as nossas emoções básicas.

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As ilustrações são de Pedro Francisco Tavares