Foto da Elly Filho em Unsplash

Espaços para a Saúde

Sobre as dificuldades, externas e internas, que afastam nossa saúde

Trabalhei por 2 anos numa equipe pública de Saúde Mental. Como era difícil ter um espaço físico para desenvolvermos nosso trabalho! As verbas públicas — diziam — não chegavam. A Saúde Mental não tinha prioridade. Se para a Saúde em geral as verbas já quase não chegavam, imagina para a Saúde Mental. Tínhamos que fazer malabarismos para poder atender a população da cidade.

Acredito muito no desenvolvimento do ser humano. No meu e no seu. Consequentemente, prezo pelo cuidado da nossa saúde emocional. Somos seres integrais constituídos por áreas física, espiritual, social e emocional. Todas nos fazem sentir vivos. Como você cuida dessas áreas na tua vida? O que você está deixando de cuidar?

Muitas vezes se temos uma forte dor de estômago, falamos sem nenhum problema em ir ao médico gastroenterologista; ou se temos uma doença no coração, em irmos ao cardiologista. Problema na pele? Dermatologista. Por quais motivos, se estamos com dificuldades com os nossos pensamentos, com as nossas emoções, com as nossas ações, não procuramos tratamento com um psicólogo e/ou com um psiquiatra?

Há vários motivos.

  • medo de sermos vistos/as como uma pessoa fraca;
  • não termos consciência de que nossos sentimentos, nossos pensamentos e nossas ações têm lugar para serem cuidados por especialistas que estudaram sobre o corpo humano, o sistema nervoso, sobre os relacionamentos e toda a subjetividade humana;
  • pavor de ficarmos dependentes de outra pessoa, no caso, do profissional de saúde mental. Principalmente por acreditar que eles não tratam os pacientes com o objetivo futuro de caminharem com as próprias pernas;
  • por não querermos tomar medicação psiquiátrica, pensando que todas elas criam dependência física, psicológica e química. Por não percebermos que é necessário passar em consulta conforme o combinado com o psiquiatra para acompanhar e ajustar a medicação de acordo com cada organismo e a cada período;
  • por não termos percebido a importância de ter um espaço para nós mesmos, para desenvolvermos nossa individualidade;
  • por não nos sentirmos seguros/as em contar para nossos amigos e familiares que estamos em tratamento com profissionais da saúde mental — que nos olham sem julgamento, sem termos que ser certos ou errados — que cuidam das emoções e nos ajudam em nossos relacionamentos;
  • por não percebermos que nós, seres humanos, temos emoções e precisamos expressá-las adequadamente para termos uma vida melhor conosco mesmos e com as outras pessoas;
  • por nunca termos dado o primeiro passo pra sentirmos a sensação de ser cuidado/a com profissionalismo e humanidade por quem realmente entende de gente.

Razões temos várias, mas se nos aprofundarmos e investigarmos as mesmas, para verificar a validade delas, fico com dúvidas se continuaremos pensando igual.

Te desafio — se não o fez ainda — a começar se permitir entender o que são as nossas emoções. A poder expressá-las. A aprender a lidar com elas, não negá-las.

Já parou para ouvir e participar de alguma atividade aberta ao público realizada por um profissional da Saúde Mental? Te convido a experimentar em alguma última sexta-feira do mês, a vivência grupal aberta à comunidade, que explora uma das nossas emoções básicas: o medo.

Pensando nessas dificuldades de espaço e verba que a enfrentamos na área pública, realizamos alternadamente na comunidade as vivências “Qual sua Cena Temida?” e “Cena Temida Pro”, esta última direcionada à cena temida do papel profissional. Acompanhe a minha página no Facebook, na qual sempre informo os links para inscrição. Não tem custo. Mas tem um investimento alto: tua determinação para se cuidar.