Janeiro Branco

Você dialoga com as suas emoções?

É batata que cada final de ano paremos para fazer uma retrospectiva e pensar nos planos para o próximo ano. E janeiro é um mês naturalmente terapêutico para nós: paramos para refletir sobre nossas vidas, nossos desejos, nossos sonhos. O fato de refletirmos sobre nós mesmos já é bastante terapêutico. É comum verificar, entre as pessoas que chegam até meu consultório, que só o dedicar um tempo para olhar com seriedade para si mesmos os ajuda a continuar caminhando para adiante. Não é brincadeira: temos o péssimo costume de sair fazendo, sem pensar primeiro. Afinal, precisamos produzir, trabalhar, ganhar dinheiro para poder cuidar de nós e dos nossos. Mas esse é um ciclo que está invertido: precisamos cuidar de nós mesmos primeiro para poder produzir bem depois. Não é brincadeira, reitero.

A cor branca é a junção de todas as cores do espectro de cores. É a cor que reflete todos os raios luminosos, não absorvendo nenhum e por isso aparecendo como clareza máxima. Essa é uma boa razão — mas não a única — para que a campanha que nos incentiva a nos conscientizarmos sobre a subjetividade humana, a resgatar a capacidade humana de saber o que está acontecendo na nossa cabeça, no nosso coração, a termos um tempo para nós mesmos, com a nossa família, com as pessoas com quem trabalhamos, com os nossos amigos, a expandirmos as nossas relações, a dialogarmos sobre os nossos sonhos e desejos, a não negarmos as nossas emoções e sim, expressá-las, tenha sido denominada Janeiro Branco.

Os seres humanos somos seres de conteúdo psíquico, de conteúdo emocional. Estamos fartamente equipados disso. E esta é uma campanha de valorização do equilíbrio mental, da saúde mental.

A nossa saúde mental depende, em grande parte, de desmistificar o que nos faz sofrer. Muitas vezes, acreditamos que não temos direitos e que não podemos ser felizes. Isso está errado! Podemos e devemos colocar o assunto da saúde mental na pauta do nosso dia a dia, para não perdermos aquilo que nos pertence: nós mesmos.

O que o Janeiro Branco propõe é que não apenas no final do ano, mas durante o ano todo, a partir do primeiro dia, cuidemos da nossa saúde emocional. Cuidar da mente é cuidar da própria vida.

Comece uma nova história

O simbolismo da cor branca, uma cor de partida, nos incentiva a preenchermos os nossos dias como se fossem folhas brancas com aquilo que realmente desejamos escrever e pintar na nossa história. Novas histórias. Novos quadros de vida.

Aqueles que sofremos calados com o bullying ou que despejamos as nossas raivas e as nossas angústias no trânsito, temos a oportunidade de, refletindo, nos tornarmos emocionalmente inteligentes e aprendermos como colocar em ação, adequadamente, aquilo que sentimos.

O Janeiro Branco é uma campanha de utilidade pública pois é importantíssimo entendermos a nós mesmos, aos outros e a coletividade onde vivemos. Sim, o mês de janeiro é terapêutico. É um mês simbólico para a nossa subjetividade. Mas não é ele quem fará algo por nós, somos nós mesmos os que precisamos nos movimentar. Precisamos tomar iniciativas e discutir sobre a existência humana, sobre o equilíbrio mental, olhando para dentro e colocando para fora.

A Organização Mundial da Saúde tem alertado que as taxas de suicídio, depressão e ansiedade praticamente fugiram ao controle em todo o mundo. Enquanto uma pessoa se suicida, vinte e uma tentaram se suicidar e não completaram o ato. São pessoas que estão em sofrimento e pedindo ajuda talvez da única maneira que sabem. Se abrirmos espaços públicos, familiares, nas escolas, nos trabalhos, em locais comunitários e em nós mesmos para dialogarmos sobre o que sentimos, poderemos ser felizes conosco e com as outras pessoas. Felicidade não é estar alegre o tempo todo. É dar passagem para as emoções, para os logros e frustrações e não negá-los. É viver o momento presente o melhor possível com todas as emoções básicas (medo, raiva, alegria e tristeza) e suas variações no instante em que precisam ser experimentadas.

Realizo encontros, num espaço público, com grupos abertos para olharmos as nossas cenas temidas. Sou psicodramatista, e esse lado da profissão, o encontro com os outros, me traz grande alegria. Uma das frases que mais escuto nesses momentos em grupo é ‘como é bom saber que todos temos medos, que podemos conversar sobre este tema e trocar experiências sobre como lidar com eles’. Nesses encontros dialogamos, sem julgamentos, sobre coisas profundas que levamos dentro de nós e que normalmente não tocamos. São tempos riquíssimos. Mas, e você: dialoga com as suas emoções? Com os seus medos e alegrias? Você se conhece?

Este movimento é um processo que pode começar em nós mesmos, avançar com as outras pessoas e se necessário for — pois nem sempre é possível fazermos tudo sozinhos — buscarmos um profissional da Psicologia para sermos cuidados e aprendermos a cuidar da nossa saúde mental e da nossa vida.

Muitas pessoas ainda pensam que procurar um psicólogo é coisa de louco. Eu acredito que procurar um psicólogo é ser louco por si mesmo, louco por felicidade e louco o suficiente para buscar um caminho melhor.

Janeiro Branco. Pensa nisso!


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