Olimpíadas 2016: tempo técnico

Hugo Calderano e seu coach Jean-René Mounie

Nestes dias de Olimpíadas assisti, entre outros, alguns jogos de tênis de mesa. Uma coisa me chamou bastante a atenção: quando um jogador está próximo de ganhar a partida, ele começa a querer chegar logo no final e muitas vezes comete erros, aumentando as chances de o adversário virar o jogo. No tênis de mesa existe uma regra que pode ser utilizada para que o jogador possa esfriar a cabeça e dar passos certeiros até ganhar o jogo: o treinador, ou o próprio jogador, podem pedir um tempo técnico de um minuto, justamente nesse momento. Nesse intervalo ele pode beber água, enxugar o suor com a toalha, respirar melhor, conversar com o coach, pensar, inclusive se necessário for, trocar de camiseta, que geralmente está bem molhada de suor. E logo depois, retornar ao jogo.

Pensei com meus botões: não acontece o mesmo nas nossas vidas? Quando começamos a ficar ansiosos em excesso e queremos terminar logo uma tarefa, paramos de exercer com qualidade os nossos passos até o final? Metemos os pés pelas mãos? Como temos escolhido agir diante de algo que exige cautela? Por exemplo, comecei a escrever outros textos antes deste, ansiosa para finalizar logo a produção, e não fluíram, não tinham conexões de ideias. Entretanto, o meu coach interno, pediu um tempo técnico para que eu respirasse, desfocasse dos outros textos que não estavam fluindo, e pensasse em algo mais concreto. Respirei. Pensei. Bebi um copo de água. Depois a ideia do tema, que já estava dentro de mim, ficou fortalecida e mais consciente, e comecei a digitar sem maiores travas, com este texto fluindo tranquilamente.

Em um workshop que dirigi, com um grupo de pessoas, o tema era a ansiedade. Algumas dicas para lidar com ela, que compartilhamos naquela vez foram estas:

  • Entender que quando um problema novo se configura na nossa frente, a solução não está na nossa mente, não está no pensamento, e sim no fato em si. Assim que for possível devemos olhar para ele de novo, procurar entendê-lo e buscar informações para aumentar nosso conhecimento sobre ele;
  • Aceitarmos erros como oportunidade para aprender. Ao diminuir os padrões de exigência, a ansiedade se reduz a um nível administrável, permitindo que vejamos coisas novas que inclusive podem elevar a nossa autoestima.

Poderia listar outras maneiras de lidar com a ansiedade, mas a mensagem deste texto é: que o nosso coach interno peça um tempo técnico diante de um momento de ansiedade excessiva, para pararmos de agir impulsivamente, e tomarmos os passos corretos para ganhar o jogo.

Consegue fazer esse intervalo e colocar novas lentes para encarar o jogo da vida?

Se não consegue sozinho e precisa de um coach para te ajudar, estou aqui. Quem sabe não fazemos uma dupla vencedora!