PREGUIÇA

Você sabe distinguir cansaço de preguiça?

A Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama (ABPS), organizou uma das muitas atividades realizadas durante a campanha Janeiro Branco. Foi um psicodrama público no Parque Ibirapuera, no domingo 22 de janeiro pela manhã. Estive lá e vi o Lúcio Ferracini dirigir genialmente o grupo.

Essa campanha, como já contei antes, busca nos conscientizar de que precisamos cuidar da nossa saúde mental de janeiro a janeiro, e acontece desde 2014 pelo Brasil. Talvez o principal resultado que está tendo nestes anos é que está mostrando que nós todos temos sentimentos e o quão saudável é conversarmos sobre eles. Pode soar óbvio para você, mas não é raro encontrar gente que adoece por não dar o espaço devido — para alguns de nós é necessário mais espaço, e para outros menos — aos seus sentimentos.

Participar de um psicodrama público é sempre uma experiência muito rica, pois nos revela um pouco mais de nós mesmos. Ao nos vermos nas experiências dos outros ou ao ver os outros em nossas experiências, vivenciamos algo que dificilmente esqueceremos.

O tema que surgiu no grupo nesse dia, após ser aquecido para pensar sobre a saúde mental, foi a preguiça. PRE-GUI-ÇA. Claro, caía uma garoa fina nesse domingo pela manhã; nada que combinasse mais com uma preguicinha. Uma participante do grupo nos mostrou a relação dela com a bicicleta, que a acompanhava no parque, e que é a ferramenta que ela encontrou para realizar exercício físico e cuidar da sua saúde. Confessou que, não raro, sentia preguiça de ir até o parque e andar de bicicleta. Me identifique imediatamente ao lembrar da minha preguiça para fazer exercício físico. Quem nunca, né? Ainda sinto essa tal da preguiça, ai, ai… O que a vivência mostrou foi que ela cedia muito ante a preguiça. Através da encenação víamos como todos os argumentos que a preguiça apresentava, por mais que a participante verbalizasse que não queria ouvir a preguiça, acabavam seduzindo-a, e ela não conseguia mudar o comportamento.

Para muitos de nós é difícil enxergar hoje os benefícios a longo prazo de nos exercitarmos fisicamente. E esse é o ponto chave. Focar bem nos benefícios: disposição, ânimo, coração forte, menos gastos com médicos, medicinas e hospitais, força… enfim, são coisas que teremos no futuro se nos exercitamos fisicamente hoje. Foco. Precisamos de foco. O preguiçoso, conforme o senso comum, é aquele indivíduo avesso a atividades que demandem esforço físico ou mental. Um preguiçoso direciona sua vida de maneira a não realizar maiores esforços. Começando pelo físico. Pensa na criatividade que a preguiça fomenta! Encontrar sempre uma razão para não fazer algo requer bastante criatividade. Ahhh se o preguiçoso usasse a criatividade para outras coisas!

O cansaço se combate descansando. Se descansamos o suficiente ele vai embora. Mas a preguiça, ahhh, essa é bem mais difícil de combater. Porém, se soubermos diferenciar quando o que sentimos é preguiça e não cansaço, vamos conseguir vencê-la mais facilmente. Perceber que podemos estar adiando ou negligenciando uma necessidade real, vai nos dar mais forças para escolhermos mandar a preguiça embora.

Termos ido ao parque na manhã de um domingo de garoa fina e participar daquela vivência já foi uma maneira de darmos um pé na bunda da preguiça. Pelo menos para mim e para a protagonista da vivência. Além disso, contribuiu para ampliarmos as percepções de nós mesmos através das outras pessoas. Nossos dilemas e conflitos não são só nossos: tem mais um monte de gente que passa pela mesma situação. Juntos podemos encontrar caminhos para seguirmos adiante, com quem realmente está disposto a mudar de atitude. Como a protagonista do dia, que nos deu uma lição: estava lá, tinha conseguido vencer a preguiça nessa manhã, não dando ouvidos para ela.

A campanha Janeiro Branco tem nos incentivado, como psicólogos, a estarmos junto da população divulgando quão bom é que todos percebamos que temos subjetividade, emoções, angústias, preguiça… e que existem caminhos para cuidarmos disso inclusive através da Psicologia. Agradeço por isso.


Ser preguiçoso pode não ser uma maneira muito saudável de viver a vida. Talvez, o pior de tudo seja que é muito fácil cair em um padrão de ser uma pessoa consistentemente preguiçosa e desmotivada. Como você administra seu tempo e o que faz com ele agora irá afetá-lo mais tarde na vida. Leia aqui algumas dicas sobre como parar de ser preguiçoso e comece a ser mais produtivo.