Quem é o protagonista?

Audrey Hepburn no set de filmagem

Te ensinaram, quando criança, a ser protagonista da tua própria história? Você aprendeu? Veja, ser ensinado é uma coisa, e aprender é outra. E não ter sido ensinado, mas mesmo assim você se esforçar para aprender, isso sim é outra história.

Eu acredito muito nisto: vale a pena sermos protagonistas das nossas vidas.

Mas nem sempre somos, né? Se você percebeu agora que não está protagonizando tua própria vida, calma, pode ser que até então você não tivesse recursos nem para perceber. Mas há solução.

Pensa: quantas vezes fomos passivos ou coadjuvantes em situações nas quais seria bem melhor termos sido ativos ou protagonistas?

Num dia desses, atendi uma paciente, quem após o período de aquecimento da sessão, verbalizou que se sentia culpada porque durante a gravidez da sua primeira filha, e mesmo durante o parto “não tinha sido ativa”. Felizmente, ela percebeu isso e depois, durante a amamentação, escolheu agir diferente. Lembrei, nesse momento, que algumas vezes todos nós temos a tendência de ficarmos concentrados na culpa de não termos agido do modo como deveríamos agir, em lugar de pensar no que já conseguimos conquistar. O que sentimos é legítimo. E é um dado importante que pode nos ajudar apesar de não termos controle sobre isso. Mas como escolhemos agir com o que sentimos é algo sobre o qual sim temos controle, algo de nossa inteira responsabilidade. Como adultos, podemos — e devemos nos conscientizar disso — escolher como seguiremos daqui em diante. Sim, daqui mesmo em diante, a partir do momento em que terminemos a leitura deste texto.

Algumas vezes parece mais fácil irmos para o caminho da vitimização, da passividade, e deixar a decisão na mão de outra(s) pessoa(s). Quem nunca quis agir assim que atire a primeira pedra!

Outras vezes, porém, podemos pôr pra funcionar o nosso cérebro e pensar como serão as coisas daqui a um tempo se nos comportarmos deste ou desse ou daquele jeito. Qual será a satisfação e realização conosco mesmos se tomarmos as nossas próprias decisões? É uma questão sobre a qual precisamos meditar. Sabe aquela segurança que você tanto deseja? Ela, a verdadeira segurança, não está livre de medos, mas te faz olhar para a tua essência, para aquilo que tem valor para você, para aquilo que você não vai abrir mão de conquistar, para teu protagonismo na vida.

Sabendo como foi o nosso jeito de caminhar até agora, podemos olhar daqui para frente e a partir do ‘aqui e agora’ escolhermos ser felizes. Sim, a felicidade genuína — não aquela na qual só ficamos rindo para os demais verem — é uma escolha. É aquela na qual nos permitimos experimentar todas nossas emoções básicas: medo, raiva, tristeza e alegria. E essa escolha nos faz protagonistas das nossas vidas. Quantos de nós entramos na onda de não nos permitirmos viver os sentimentos e procuramos fugir através do trabalho, da comida e dos medicamentos em excesso e/ou inadequados? Quantos de nós fugimos — de uma ou de outra maneira — da nossa própria vida?

Você deve ser protagonista da tua história de vida. Ninguém mais deveria assumir teu papel. É claro que todos, em determinados momentos, podemos fazer escolhas inadequadas, mas é necessário que aprendamos com elas. Está na nossa mão retomarmos o papel de protagonista da nossa própria vida. Ninguém fará isso por nós.

A paciente foi embora da sessão com a missão de refletir como escolherá agir com a culpa que ela ainda sente. Quem sabe num outro texto conto qual foi a opção dela.

É preciso saber viver, nos permitindo sentir e escolhendo sermos felizes. Pensa nisso.


É Preciso Saber Viver
 
Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver, saber viver!

A música foi composta por Roberto e Erasmo Carlos, e regravada depois pelos Titãs.