Como conseguir uma vaga de UX Designer fora do Brasil

por Andrea Pacheco


Arrumar um emprego já é uma tarefa difícil. Então se prepare: arrumar um emprego fora do seu país pode demorar um tempo. É claro que tudo vai depender de muitos fatores, mas o principal, é a sua dedicação ao aplicar para uma vaga.

Esperar que alguma empresa entre em contato com você já por si só uma etapa demorada. Depois que você tem uma empresa interessada em te conhecer, vem outra demora: passar pelo processo seletivo.

Processo seletivo no estrangeiro é algo cansativo e doloroso. Se você é uma pessoa ansiosa, então, te sugiro respirar e ir com calma.

Você pode demorar pelo menos uma semana para receber um feedback de uma única etapa (das várias que você vai passar), e de semana em semana, alguns meses vão se passando até você ter alguma definição de fato.

Então, se você está pensando em aplicar para uma vaga fora do país, eu te aconselho a começar pensando o seguinte:

  • Se você tem certeza que é isso mesmo que você quer, comece logo a procurar vagas e mandar e-mails. Como eu falei, esse é um processo que pode demorar de 6 meses há 1 ano, e no meio tempo, você pode muito bem ir tocando o seu emprego atual e ir salvando uma grana.
  • Você já está trabalhando no seu país? Caso pareça uma oportunidade imediata, como você faria para se mudar? Você mora de aluguel? Dá para “deixar tudo para trás”?
  • Faça um plano de vida, para quando a oportunidade bater na sua porta, você esteja preparado.

Um dica que eu dou é você optar por trabalhar apenas com freelance. Assim, quando surgir uma vaga, fica muito mais fácil para se desligar do trabalho no Brasil.

Dribble, LinkedIn e a vaga perfeita…

Acho que a pergunta que eu mais recebo é: Andrea, onde eu consigo achar uma vaga?. Então resolvi compartilhar aqui com vocês os sites que eu uso e que me ajudaram bastante:

Dribbble

Pouca gente sabe e usa, mas o Dribbble tem um mural de vagas constantemente atualizado com oportunidades super interessantes pelo mundo todo. Desde agências de publicidade a grandes empresas e start-ups, a maioria das vagas são muito legais porque, ao contrário dos tradicionais sites de Job Hunting, o Dribbble é uma rede social 100 % feita e voltada para designers, ou seja, as vagas anunciadas por lá geralmente são postadas por empresas valorizam o departamento de design dentro delas.

Além do mural de vagas, já ouvi muita gente falando que foi abordado por alguma empresa depois de ter seu perfil descoberto pelo Dribbble. Então além de tudo, é uma ótima plataforma para você divulgar o seu trabalho e criar um networking — eu particularmente não sou e nunca fui muito fã do Behance, então se você está em dúvida sobre em qual rede social concentrar seus trabalhos, eu aconselharia o Dribbble, sem dúvidas.

LinkedIn

Não é novidade para ninguém que o LinkedIn é uma ótima ferramenta para buscar vagas, principalmente vagas relacionadas a design, tecnologia e publicidade.

Awwwards

Esse aqui é mais complicado e demanda mais tempo. 
O Awwwards é um curador de sites com algum destaque em UI e/ou UX. Por isso é bem comum descobrir agências pequenas e médias que publicaram algum trabalho extraordinário, por lá. Acontece que se você entrar no sites dessas empresas, quase sempre existe uma ou outra vaga em aberto. Por isso, quando você ver um site interessante por lá, dá uma olhada para saber se a empresa responsável por aquele site não possui alguma vaga que possa te interessar.

Prepare seu portfolio

O primeiro passo para ser notado é ter um portfolio forte, e você não precisa ter grandes clientes para isso. Quando eu falo forte, digo que você precisa de um portfolio que exalte seus trabalhos e, por si só, já seja uma amostra do seu trabalho.

Na hora de selecionar os seus trabalhos, eu diria que de cinco a seis dos seus melhores trabalhos é o suficiente.

Seja você UI ou UX Designer, explique qual foi seu papel naquele projeto. Quem está contratando quer saber o que você é capaz de fazer, não apenas ver o resultado final. Você pode começar pelo objetivo do projeto, que problemas procuraram resolver, e como isso foi feito. Detalhe seu processo de trabalho e seu processo criativo. Venda seu peixe.

Tenha seu próprio domínio

Eu realmente não posso comprovar para vocês através de dados a quantidade de pessoas que conseguiram uma entrevista de emprego por ter seu portfolio com um domínio próprio vs. aquelas que colocam seus trabalhos no Behance, Cargo Collective ou algo similar. Mas uma coisa eu garanto: se você quer ser levado a serio e não quer passar batido no meio de uma pilha de e-mails de aplicações para a mesma vaga, ter seu próprio domínio é fundamental. Se você está aplicando para uma vaga de UI/UX Designer, o mínimo que se pode esperar é que você tenha projetado uma ótima experiência e interface para o seu próprio site, ao invés de usar templates prontos, não é mesmo?

Entrando em contato…

Na hora de preencher o formulário para vaga, ou escrever um e-mail para a empresa, seja bem verdadeiro sobre a sua atual situação profissional. Diga onde você mora, país e cidade, e qual a sua intenção em mudar de país e trabalhar naquela empresa. Você não precisa — e nem deve — contar sua história de vida. Tente ser direto, objetivo e educado. E não esqueça de copiar o link para seu portfolio online e LinkedIn.

Pronto, agora uma empresa que você curtiu entrou em contato com você. Não se desespere. Provavelmente você vai passar por uma bateria de testes e entrevistas via Skype ou por telefone.

Entrevistas, Skype e o seu inglês

Eu não sei vocês, mas eu achava que dominava a arte de fazer entrevistas; até começar as entrevistas para empresas estrangeiras. É muito engraçado como logo nas primeiras vezes você já percebe a diferença cultural e de trabalho.

Pontualidade

Eu não lembro de uma entrevista que tenha feito onde o recrutador não tenha me ligado exatamente no horário combinado. Em ponto! Os que atrasavam, já me enviavam uma mensagem pelo menos 30 min antes, adiando a conversa. Ou seja, sempre que tiver uma entrevista marcada, seja pontual.

Posicionamento

Uma coisa que eu percebi fazendo entrevistas com empresas no exterior, é que as pessoas esperam que você seja direto e extremamente confiante sobre o seu trabalho.

Quando eu fazia entrevistas no Brasil, sentia que quando eu ia falar do meu trabalho, havia sempre aquela bareirra entre ser humilde e saber vender seu peixe. A impressão que dava era que se eu começasse a falar muito bem sobre o meu trabalho e mostrar muita confiança, o recrutador já achava aquilo um pouco arrogante.

No Brasil a gente tem essa mania de ser sempre humilde e achar que a gente não pode exaltar as nossas qualidades e conquistas. E essa foi uma das primeiras impressões que eu tive ao fazer as primeiras entrevistas para fora: as pessoas esperam que você fale, muito, e muito bem, de você mesmo e do seu trabalho. Exaltar suas qualidades, seus projetos, não tem nada de arrogante. Não tenha vergonha de dizer que fez um projeto inteiro sozinho, ou alcançou números incríveis. E muito comum conhecer um estrageiro, e ele já ir se apresentando falando seu nome, seu cargo e a empresa que trabalha, como se aquelas fossem as coisas mais extraordinarias do mundo. As pessoas aqui realmente levam muito a serio o seu trabalho.

As pessoas querem contratar pessoas apaixonadas pelo trabalho, e pela empresa! Se você está aplicando para uma vaga em determinada empresa, faça questão de aprender tudo sobre ela. Para começar, aconselho que você aplique para empresas que realmente tenha interesse em trabalhar. Demonstre que você tem um interesse em particular, e que aquela vaga é realmente ideal para você; essa é uma das primeiras coisas que qualquer recrutador pergunta: porque você quer trabalhar na nossa empresa e o que você tem a acrescentar.

Geralmente o processo seletivo acontece de duas formas:

Ou você ira passar por uma serie de entrevistas com os stakholders da empresa, ou, além de passar por essas entrevistas, você também fará algum teste para mostrar sua técnica e raciocínio.

Quando a empresa pede para você fazer algum teste, eles costumam mandar um briefing e um deadline para você apresentar seu trabalho. Quando isso acontece, o melhor que você tem a fazer é separar algumas horas para treinar a sua apresentação. Não só o seu trabalho será avaliado, como a forma que você o apresenta, seja a ferramenta que você usa (se você vai usar o Invision, Keynote, etc, e como a apresentação será visualmente), como a maneira que você explica o seu trabalho.

O inglês é fundamental?

Sim, inglês é fundamental. Mas na hora da entrevista, não se desespere. Quem tá do outro sabe que é super natural o candidato ficar um pouco nervoso, esquecer algumas palavras ou pronunciar algo errado. Mas se você pensa mesmo em morar fora, invista em aperfeiçoar seu inglês; no dia a dia de trabalho, saber se comunicar de forma clara faz toda a diferença.

Precisa ter diploma?

Eu poderia dizer que não, mas depende…. 99% das pessoas que eu conheço não tem diploma e isso nunca foi um problema. Mas isso vai depender de dois: a empresa e o país.

Geralmente empresas muito grandes, como Facebook, Google, … , requerem certificação - acredito que mais por uma política de contratação existente em grandes empresas, do que pela capacidade do profissional em si. Mas agências de publicidade e a grande maioria das empresas, não requerem certificação para você trabalhar como designer. Nesse caso, se o seu trabalho se mostrou bom o suficiente, é o que interessa para eles.

Mas como não tudo são flores, dependendo do país de atuação, ter um diploma de graduação facilita na hora de tirar o visto. O EUA é um desses países com políticas mais severas para visto de trabalho, então se você não tiver um certificado de graduação, mas a empresa quiser te contratar, você vai ter que correr atrás de alguns documentos e reunir uma boa quantidade de cartas de recomendação, entre outras coisas, para comprovar que tem expertise naquela area. Pelo que eu percebo, os países da Europa e países como Canadá e Austrália são bem mais tranquilos em relação a visto de trabalho, e não ter um certificado de graduação não é um problema.

O mais importante é não desistir. Se é isso mesmo que você quer, vá atrás. Uma vez um amigo me disse algo importante. “Se não aconteceu há um ano atrás, aquela não era a hora.”

Eu tentei compartilhar um pouco a minha experiência e quem sabe inspirar alguns designers a irem atrás de novas oportunidades. Como primeiro post, não quis me estender muito, mas caso você ainda tenha dúvidas e queira saber mais detalhes sobre alguma etapa específica nesse processo, você pode deixar um comentário por aqui que eu vou procurar responder em breve. Espero que tenha ajudado, ou pelo menos inspirado, a quem estiver afim de mudar de emprego, e o principal…mudar de vida!


Esse é um artigo escrito por Andrea Pacheco, User Experience & Interface Designer. Apaixonada pelo que faz, atualmente trabalhando na Vigour.io e pedalando bastante por Amsterdam.