[rush]

Andrea Wirkus
Aug 9, 2017 · 1 min read

é uma contenda atravessada
às vezes os pés ressentem a areia
mas os olhos não distinguem a linha
que cinde o mar e a madrugada

mora nessa praia deserta,
numa noite que não termina,
uma mulher que se move solta
cujo rosto a lua ilumina

ela caminha nua
louca pra entrar no mar
a água beija-lhe os pés
o ventre contrai em marés
mas ela tem medo de se afogar

a brisa sopra suave
sobre a pele que arrepia
e a vontade cobra o impulso
que o receio tenaz adia

ela olha para a lua
para a linha que não está lá
e a noite que continua
não importa aonde ela vá

é a permanência inabalável
das coisas em seu lugar
ela cede ao desejo antigo
porque o desejo cansa de latejar

o mar lhe envolve enlevado
o sal queima-lhe os poros
as ondas embalam o corpo
no bálsamo tão esperado

é impossível precisar
a medida da insensatez
pode a água inundar os pulmões
de quem não mergulha nem uma vez?

e ela flutua inebriada
acolhida pelo entendimento
de que nada vira nada
se não houver movimento

a noite interminável
de repente vira dia
e ela pode contemplar
a linha que antes não via

Andrea Wirkus

Written by

do tipo inquieto, um pouco infantil, razoavelmente irascível.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade