Ilustração de Alexandra Tungusova no Behance.

Oficina do Livro: o designer e o teste de usabilidade com crianças do ensino infantil e fundamental.

Um breve relato do processo utilizado para entender e testar a usabilidade na escrita de livros digitais infantis.

Em meados de 2019 iniciávamos a criação de uma nova plataforma para um produto com cerca de 15 anos de atuação mercado. Em todos esses anos a empresa acumulou elogios, reconhecimento e com toda certeza, muito aprendizado com os usuários e clientes.

O grande desafio foi trazer esse mesmo conceito pra uma nova plataforma com um time totalmente novo e sem conhecimento do produto. Sugerimos dividir o time em verticais de desenvolvimento e design para mapear os entendimentos e gargalos de cada time. Ficou mais ou menos assim:

Design: Entender como o material era produzido (Início/Meio/Fim); como era feita a construção das interfaces das oficinas dinâmicas; como os usuários interagiam com as oficinas.

Desenvolvimento: Revisar o código das antigas oficinas para entender a lógica aplicada em cada livro; descrever as regras de negócio; planejar a criação da nova interface.

Durante toda essa fase rezávamos para encontrar alguém dentro da empresa que tivesse esse conhecimento todo para repassar.

Nosso time estava separado, o time de negócio ficava em Curitiba e o time de Pesquisa e Desenvolvimento em Manaus. Iniciamos os trabalhos com a motivação no alto, o PM e PO escreviam User Stories feito malucos, sempre com ideias disruptivas e muito conhecimento de mercado.

O layout

O time de negócio (Curitiba) começou a desenhar uma nova interface de forma ágil e frenética, já agendando uma reunião de validação em poucas semanas com a diretoria (o nível mais alto da organização) pra colher os feedbacks e receber a confirmação de “vai nessa”.

Enquanto isso em Manaus, estávamos preocupados em pelo menos entender o que os desenvolvedores tinha escrito há 20 anos atrás. Nós queríamos entender como as páginas eram geradas e enviadas para a impressão. Porque já sabíamos que cada criança podia escreve seu livro individual, em grupo e em turma. Seus nomes apareciam numa parte específica de cada livro, e haviam dedicatórias específicas por tipo de escrita.

Nesse produto envelheci uns 10 anos.

A apresentação do layout

O time de negócio representado pelo PO marcou uma apresentação do novo layout da plataforma para o time de Manaus (depois de ter vendido para a diretoria). Então, se os desenvolvedores levantassem alguma limitação técnica poderia gerar inconsistência entre o que foi vendido e o que conseguiríamos entregar. E foi isso que aconteceu!

Nada contra esse fluxo de trabalho, mas poderia ter sido refinado com o time de desenvolvimento antes de vender.

Resumindo a história para entrarmos na parte de teste de usabilidade.

Começamos a desenvolver um “MVP” sem pressão. Mais assim, isso precisa estar no ar em 3 meses para lançamento no mega festival da empresa. Criamos o MVP com 2 oficinas nível foda de complexidade, e geramos e imprimimos os livros das pessoas durante o evento. Foi uma loucura!

O teste de usabilidade

Depois desse parto de lançamento, iniciamos o refinamento do MVP. Agora nosso foco não eram os diretores de escolas e professores, nosso foco eram nos usuários reais, as crianças e adolescentes.

Pela primeira vez reunimos os designers de Curitiba e Manaus para atuarem juntos nesse teste. Todo o planejamento foi feito remotamente, dividimos em 3 partes o plano de teste:

1. Propósito:

  • Entender como as crianças e jovens interagem com os recursos de escrita do livro na nova plataforma.
  • Identificar pontos de melhoria na usabilidade das oficinas finalizadas.

2. Processo:

  • Solicitamos ao time de Sucesso do Cliente para selecionar um cliente/Escola e agendar um dia e sala para realizarmos o teste.
  • Escrevemos os termo de consentimento para a Escola/Pais para realizar os teste com os alunos, mas sem a captura de imagens.
  • Escrevemos um roteiro de teste para cada oficina a ser testada;
  • Escrevemos um roteiro de teste de impressão na gráfica em Curitiba;
  • Realizamos um teste piloto internamente para calibrar tudo;
  • Levantamos a quantidade de notebooks necessária para realizar um teste satisfatório;
  • Solicitamos para o time pelo menos 1 pedagogo para entender a melhor forma de conversar com as crianças.
  • E o melhor, o time de Manaus foi convidado viajar para Curitiba para participar do teste. Eu de gaiato levei um desenvolvedor para acompanhar os usuários utilizando o produto que ele tinha acabado de construir. :)

3. Resultado

Iniciamos o teste em uma escola particular de Curitiba, tudo agendado com antecedência, com uma sala bem colorida esperando por nós. :)

Montamos o ambiente, deixamos tudo no ponto para as crianças começarem a brincadeira de escrever livros. Primeira turma, ensino fundamental I, as crianças sentaram na mesinha um ao lado do outro e ficaram olhando para nós, esperando o “Já!”. Nós esperamos e deixamos eles se acostumarem com a presença de estranhos na salinha deles, e então sem falar uma palavra, os cliques começaram. Ele iniciaram um teste exploratório na interface, encontraram as oficinas e iniciou a sessão de perguntas do tipo:

  • Ô tio, porque a baleia não fala o texto pra mim, eu não sei ler tudo ainda.
  • Tiuô, não consigo colocar o chapéu no coelho.
  • Acho que a minha tá quebrada tio, não tá tocando a música como na outra página.

Foram muitos comentários e questionamentos, anotamos tudo com uma alegria enorme em estar fazendo aquilo. Foi uma experiência incrível para todos nós. Continuamos realizando os testes de 4 oficinas em turmas de ensino fundamental II e ensino médio. Foi um dia intenso!

Coletamos todos feedbacks, comentários e questionamentos, aprendemos muito com as crianças e partimos para a jornada 2. A impressão dos livros das crianças.

Na gráfica começamos pela solicitação de uma explicação do processo de trabalho de impressão de livros e baixa escala de tiragem. Um trabalho manual feito pelo operador no Adobe InDesign e no software da impressora.

Todos os livros foram configurados para esta impressão e para todas as outras milhares de impressões daquele ano e do ano seguinte. Conseguimos finalizar tudo, entender os erros que poderiam acontecer no processo de impressão e configuração dos livros e o melhor, conseguimos errar lá na gráfica, antes de voltar pra casa.

Eu descrevi aqui uma pequena parte da experiência que tive na construção do produto Oficina do Livro. Lá atuei como coordenador técnico / Designer de produto e tentava ajudar o time a construir produtos educacionais olhando para a boa experiência de uso.

Optei por escrever e não trazer imagens nem fluxos elaborados por questões de NDA (Acordo de Não Divulgação).

Comenta aqui o que você achou do texto e como posso melhorar.

Obrigado por ler!

Página do produto: https://tecnologia.educacional.com.br/project/oficina-do-livro/

Link do produto: http://oficinadolivro.educacional.com.br/Login/

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Interaction Designer no @CESAR, UX Researcher, Instrutor de Design, Criador do @UX.Falando no Instagram.

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André Bernardes | UX Falando

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