Quebre o ciclo. Tá na hora.

André Buzzo
Feb 23, 2017 · 3 min read

A terminar de escrever isso, me senti meio infantil. Mas preciso quebrar o ciclo!

Sim, eu me tratei com uma psicóloga por mais de 5 anos. Tive a oportunidade e o privilégio de me conhecer melhor. Meus medos, anseios, crises, angústias, frustrações, decepções, pontos negativos e sim, pasme, eu descobri também que tenho alguns outros positivos! Nem sempre agradáveis de serem levantados, mas de suma importância para entender diversas nuances sobre minha pessoa.

Julgo ser minha maior evolução, a de conseguir analisar coisas com uma certa emoção racional. Sabe — se não souber, não há demérito algum nisso — como é né, conseguir analisar uma situação e deixar pré-conceitos de toda uma vida de lado. Fácil? Rá! Vai sonhando!

Veja: sempre colocamos nosso lixo reciclado no portão de casa nos dias de coleta. E eu ficava pistola quando pessoas iam e mexiam no nosso lixo; rasgavam o saco, jogavam coisas na frente de casa, buscando algo que fosse útil para eles. Quem tinha que limpar a zona? Quem? Quem?

EU FICAVA PUTO!

Porra, eu guardo esse lixo no fundo de casa, durante uma semana, separo tudo bonitinho, coloco na frente de casa para as pessoas recolherem e vem outro e zoneia tudo aquilo? #pelamordedeus como eu ficava possesso com esse tipo de coisa. E quem não ficaria não é mesmo?

Aí me peguei pensando, numa última vez que vi uma mulher revirando meu lixo: “Cara, na boa. A que ponto chegamos não? Ver uma pessoa revirando o lixo de outra para encontrar algo de valor naquilo que não me serve mais … chegar — e viver — num ponto desses deve ser algo muito, mas muito triste e deprimente” …

Então a maioria pode até pensar, e não critico se assim o fizer:

Nossa, deêm um Nobel presse alemão burro que precisou de terapia para conseguir ver as coisas dessa maneira …

Sim, eu precisei. E consegui quebrar um ciclo de pré-julgamentos e pré-conceitos. E quantos outros não precisariam de tal ajuda!

Vi a pouco uma pessoa que conheço compartilhando uma foto de uma suposta violência contra um cão; um cara da polícia, segundo o post matou um Golden Retriever … e o post é naquela tom de “compartilhem a foto do desgraçado” … e eu me questiono: “orra, mais violência”?

Primeiramente, compartilhar esse tipo de coisa não agrega nada ao dia de ninguém; segundo, o cão não vai retornar por conta disso; terceiro, não dá para saber se é ou não verdade ou se a pessoa em questão fez o que dizem ter feito. E o pior: num dos comentários sobre o ocorrido, uma mulher diz que “se eu pego eu mato esse desgraçado”!

O que a tornaria muito, mas muito melhor que o suposto agressor não é mesmo?

Não seria a hora de — sei que vai soar ingenuidade de minha parte — quebrarmos esse tipo de ciclo? De corrente? Se tudo for olho por olho, dente por dente, estaremos em breve todos cegos e banguelas! Sei lá, vamos rezar por um cara desses, para que ele tenha iluminação. Vamos tentar mostrar de uma outra maneira que esse tipo de comportamento não é o “ideal”.

Não sei ao certo o que fazer, mas precisamos quebrar o ciclo … e sim, quando vejo que um humano tirou a vida de outro, eu AINDA desejo a morte dele.

Preciso eu, antes de mais nada, praticar o que falo.

    André Buzzo

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