Meus pitacos sobre as manifestações de 16 de agosto


Leio por aí que, depois de uma semana não-tão-ruim-assim para o governo, a “baixa” adesão aos protestos dá um alento ao governo Dilma. Olha, posso estar muito enganado, mas acho que não foi nada disso não.

Primeiro

Três vezes esse ano os brasileiros tomaram as ruas contra Dilma, contra Lula, contra o PT, contra a corrupção, contra a safadeza, etc. Se na maior manifestação, no dia 15 de março, o impeachment da presidente era apenas uma das causas dos protestos, nas duas seguintes o tema era o centro das discussões. Eu nem precisei acabar de ler o livro do Flavio Morgentern pra compreender que pautas abstratas (“contra tudo isso que está aí”, “vem pra rua!”, “não é só por 20 centavos!”) tendem a atrair mais manifestantes, uma vez que cada um protesta contra o que quiser. Vejam aí que nas análises de hoje o dia 12 nem existiu e a do dia 16, presentes em todos os estados da Federação (até no ACRE e em RORAIMA!!!), em diversas cidades do interior e também em algumas no exterior — os organizadores falam em 400, a imprensa diz que presenciou cerca de 270 — com uma pauta única (“FORA DILMA, FORA LULA, FORA PT”) foi um fracasso. Como bem disse o @apyius, é como se o Brasil hoje perdesse só por 6x1 da Alemanha e saíssemos nos pavoneando da boa situação da nossa seleção. Um fracasso retumbante nunca antes visto na história destepaiz, quiçá do mundo.

Segundo

Se a política é, como diz o Alexandre Borges, a construção de narrativas, aquela que o Planalto e boa parte da imprensa primeiro tentou vender (lá em março e depois em abril) é que o povo protestou contra a corrupção e a favor da intervenção militar. Ou seja, ou eram descontentes ou eram golpistas. Passou-se, então, a vender a ideia de que eram todos membros da elite que não aceitavam o resultado da eleição, mesmo quando quase que a totalidade ali presente está disposta a ser governada por um vice-presidente por quem nem sequer votou. Hoje está bem claro que esse povo não aceita mais o PT e, parafraseando Churchill, faria uma aliança com o próprio capeta (MT666) para se ver livre dele.

Terceiro

Eu tenho um problema com essa análise puramente numérica. Não sei se é desonestidade ou apenas incapacidade intelectual, mas são palavras sem valor. Se alguma comparação deveria ser feita, seria entre ontem e 12 de abril, manifestações muito mais semelhantes, do que entre ontem e 15 de março. Qualquer um perceberia que sim, foi maior. Ou seja, cresceu o número dos que acreditam que a saída para o País é o “Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT”. Olhando simplesmente o número de manifestantes e comparando-os com aquilo é mais proveitoso para a construção da narrativa, diz-se que o governo está tranquilo, uma vez que Março>Agosto. Esqueça-se a popularidade da presidente e a crise econômica e política. E fim. Se não é feito para te enganar, certamente é para te deixar com aquela pequena dúvida, para te desinformar. Eu citei ali ainda a questão da incapacidade, pois me parece esse o mesmo raciocínio de quem analisa um discurso contando quantas vezes cada uma das palavras foi citada (“o governador citou a palavra futuro 8x, o que é uma coisa muito boa”). Isso até a Dilma é capaz de fazer. “Teve 3 milhões contra o governo antes e hoje 1 milhão pedindo o impeachment, então a presidente pode ficar tranquila que tá tudo bem”. Tá serto, quem sou eu para negar.

Quarto

Recado para o PSDB

Assumindo que tal narrativa seja fruto de desonestidade, ou seja, de quem primeiro coloca a ideologia a frente do seu dever de informar, a situação me parece essa: desde o dia 15 somos chamados dos mais diversos adjetivos pejorativos — eu mesmo comecei a anotar cada um pra não esquecer o que eu, de fato, era. Tenho até o momento: “elite branca opressora paulistana coxinha da panela le creuset da varanda gourmet comedor de cachorro quente com talher viúva da ditadura golpista da ku klux klan” — este último acrescentado em pleno Criança Esperança, um verdadeiro orgulho. Não sou nenhum analista político, mas me parece que essa estratégia NÃO ESTÁ DANDO CERTO. Há aí um “movimento” que não se desanima, mesmo quando políticos, intelectuais e a própria imprensa dizem que eles estão errados e, pior, quando os xingam de tudo quanto é coisa. Talvez a situação esteja tão frágil que todos esses (e sabemos que muitos ali são financiados pelo nosso dinheiro) estejam abraçados para tentar alguma forma de sustentação. Continuando assim, talvez demore um pouco mais, mas a Dilma não será a única a cair. A hegemonia acabou. Olhem nas listas de livros mais vendidos a quantidade de obras que antes deviam estar no codex esquerdista, tanto de autores consagrados, como Roger Scruton, Milton Friedman ou Olavo de Carvalho, ou então daqueles que despontam, como Bruno Garschagen e Flavio Morgenstern. Uma geração que se informa com autores desse nível certamente não se contentará em ler análises cujo maior trabalho foi contar palavras.

Quinto

Deixe de ser isentão!!

A mensagem é muito clara: ou a gente acaba com o PT ou o PT acaba com o país.