Resoluções de ano novo #1: ficar menos no Facebook

Virada de ano, férias — a gente sempre aproveita a quebra de fluxo para respirar um pouco, pendurar os costumes corriqueiros num cabide e repensar o que funciona ou não, o que manter o que cortar.

Já faz tempo que venho reduzindo minha exposição ao Facebook. Tem sido bom pra mim.

Por estes dias vi dois textos diferentes sobre o assunto, e resolvi escrever sobre o meu caso. Talvez seja inspirador…

Eu demorei mais que a média para entrar no Facebook, embora já usasse muito email e fosse ativo em blogs (escrevendo nos meus e comentando nos dos outros).

Logo percebi que o Facebook era uma ótima ferramenta para refazer contatos antigos, conhecer gente nova, ficar por dentro das atividades recentes de pessoas interessantes (o que estavam lendo, publicando, onde iam tocar — no caso dos vários músicos sobre cujo trabalho queria ficar inteirado, onde iriam dar palestras — no caso de pesquisadores cujo trabalho tento acompanhar, etc.)

Mas aí o meu face começou a ficar mais um negócio de treta que de qualquer coisa. Assuntos de política viraram briga constante a partir do fim da década passada. Comecei a silenciar feeds e bloquear pessoas. Comentar menos, postar menos, entrar menos no site. Continuava sendo uma boa plataforma para divulgar os textos que escrevia nos meus blogs e conseguir alguma comunidade de leitores.

Mais recentemente, em 2013 comprei meu primeiro smartfone. E claro, o aplicativo do Facebook tornou-se sempre um dos mais usados. Mão na roda, né? Me libera o desktop para dedicar a trabalhos mais sérios e deixar de ficar pendurado no Face, ao mesmo tempo me dá atualizações em tempo real, curtidas, comentários.

E claro, ganas de responder, repostar, ler, ficar 24 horas por dia conectado.

Até que, fim de 2016 tive de decidir desinstalar os aplicativos do Facebook e do Messenger do meu aparelho. Ainda é o mesmo smartfone de 2013, e a memória dele simplesmente não dá conta de manter todos os aplicativos agora que as atualizações ocupam cada vez mais espaço. Depois de desinstalar outros que usava menos, chegou a vez do FB.

Descobri que existe uma razoável liberdade em não ficar mais conectado a todo momento. Agora uso o Face apenas no desktop ou laptop. Entro uma vez por dia (tem dia que nem entro), dou uma “lambida” no feed (não há como acompanhar tudo, faz muito tempo), respondo mensagens, olho as mentions, curtidas e comentários nos meus posts.

Já faz também um bom tempo que minha principal rede é o Twitter. Quase tudo que posto no Face é na verdade uma postagem automática, pois liguei lá o meu twitter e deixei a máquina fazendo o serviço sujo.

Um possível efeito colateral é que, como interajo menos, acho que o algoritmo vai mostrar cada vez menos minhas coisas para os outros. Pode fazer falta pra mim quanto à divulgação do que escrevo? Sim, ou não, não tenho certeza. Mas tô achando que tá valendo a pena.

Afinal, as coisas importantes da vida são aquelas que fazemos fora do Facebook. Os melhores textos, e que durarão mais, não estão lá na minha página no FB, mas no meu site próprio — andreegg.org Para escrever coisas mais inconsequentes tô preferindo mil vezes ficar aqui no Medium. Já notou como a página é limpa, como trolls não conseguem respirar aqui com tanta facilidade? Maravilha, né?

Quanto mais a gente vai ficando dependente daquilo tudo, menos diversa e interessante vai ficando a internet. Mais poderoso vai ficando o algoritmo. Não duvide, a notável piora da qualidade do debate público, com eleição de Trump, impeachment, brexit e essa merda toda tem muito a ver com boatos de whatsapp e tretas de facebook. Eles são muito mais culpados que uma suposta “imprensa golpista”. Aliás, já notou que o feed do Facebook está fagocitando e inviabilizando comercialmente o jornalismo de qualidade?

Pois é, mais um motivo…