Odisseias

Esses dias andei viajando a trabalho.

O mapa do mundo antigo. Ah, que falta faz a ciência das coisas, hein?

Nenhuma novidade pra mim, mas fazia realmente algum tempo que não passava tanto tempo longe de casa, sozinho, em terras estranhas. Isso faz a gente pensar um pouco. Na vida, nas coisas a nosso redor, em como tudo se conecta e no que é realmente importante.

Ai lembrei do poema épico, Odisseia, de Homero. Nele, Odisseu (ou Ulisses, na versão romana) era um herói da Guerra de Troia que passa por toda sorte de apuros para voltar para casa. Acaba que sua jornada de volta foi tão ou mais épica que a missão que o levou a sair de casa em primeiro lugar.

Fiquei pensando em quantas odisseias vivemos, todos os dias. Vamos trabalhar, vamos estudar, vamos malhar, enfim, saímos de casa e voltamos após enfrentar apuros no transito, problemas de segurança, violência, passamos por toda a sorte do mundo em horas, todo dia.

Virou banal. Alias, o que não é banal hoje em dia?

A marca da sabedoria é ler corretamente o presente e marchar de acordo com a ocasião. — Homero

Vive-se muito a cultura da viagem como forma de transformação. E é mesmo. Nossos ares, novos domínios entram no nosso repertório, nos transformam por dentro e por fora. Nos fazem ter a distancia necessária para avaliar o cotidiano.

Valorizar aquilo que banalizamos.

Modificar aquilo que já não nos pertence mais.

Tudo esta conectado.

Mas no fim, a distancia nos faz amar cada vez mais aquilo que nos esta distante e queremos voltar. Para Ulisses, a sua mulher e filho. Também nos enche de força e coragem para atingir esse destino, o fim dessa história.

Nos enche de motivação. Palavra essa que, sim, é o motivo que leva a ação, por mais cliché que soe. Clichés não são clichés a toa.

Todos estamos viajando, mesmo aqueles que não saem do seu lugar físico. Toda viagem é uma história. Toda história tem um final e uma viagem, o seu destino. Quem escolhe somos nós.

Estou viajando ou faz sentido?