Geração Porcelana
Muito frio. Muito quente. Muito alto. Muito baixo. Muito difícil. Muito trabalho. Muito cansativo. Quando fica pronto? Quando recebo os resultados? Quanto recebo? Preciso me esforçar muito? Vai ser difícil? Esse é o mantra da Geração Porcelana...
Você nunca sabe quando essa geração de filhos de mimos e atenção vai quebrar. Não querem esforços, sofrimento ou dor, mas apenas existir e receber os resultados pelo brilhantismo que não colocaram em prática, pelos relacionamentos que não se arriscaram, pelo trabalho que fizeram pela metade.
Cuja estabilidade é ancorada em terapia e cujo sofrimento é medido por gotas de rivotril, miligramas de paroxetina ou comprimidos de alprazolam, eles morrem se acordarem sem poder contar quanto tomaram de seu tarja preta.
A fragilidade emocional da geração porcelana, que não aceita críticas ou discordâncias, os condena a ter uma série de gurus. Ao primeiro sinal de problemas, disparam para seu terapeuta ou “amigos” buscando qualquer forma de reafirmar a decisão que precisam tomar ou então saber o que precisam fazer diante de uma situação de dificuldade... talvez como... “atravessar a rua...”.
A principal habilidade da geração porcelana é achar que faz demais. “Hoje eu cheguei pontualmente. Hoje fiz minhas atividades do estágio. Hoje fui bem numa prova”. Mas ficam faltando aqueles 15 minutinhos de reflexão sobre: “What the fuck am I proud of?”. Desde quando obrigações do “cotidiano” viraram razão pra orgulho? Acho que eu tô velho.
Mas a Geração Porcelana domina com inequiparável maestria a arte do vitimismo, afinal de contas, eles são porcelana, estão sempre quebrando... Todas suas conquistas são fundamentadas no quão capazes são de impressionar com histórias tristes a infindável série de justificativas por aquilo que não fizeram ou fizeram mal feito. O problema nunca está neles, mas em quem está ao seu redor que não soube pisar em ovos e feriu seus sentimentos por esquecer o “atenciosamente” ao final do e-mail.
A Geração Porcelana não entende a Geração de Aço. Forjada, aquecida, resfriada, batida, quebrada, fundida. A Geração de Aço não quebra quando cai... pra isso a Geração Porcelana tem um jargão pejorativo chamado... “resiliência”. A Geração de Aço não domina a oratória impressionista “porcelanística” que sabe combinar vinhos, citar frases de Hannah Arendt, e elaborar críticas ao Governo a partir do que leu na Veja. Mas ela pode te responder qual a diferença do tinto e do branco descrevendo todo processo de fermentação, é capaz de sintetizar a “Banalidade do Mal” em uma conversa de bar e não se acovarda explicando o processo de impeachment sob o ponto de vista Constitucional.
A diferença entre elas é que uma é uma geração de fortes e ambiciosos que não se acovardam pelo sofrimento, dor e dificuldade, enquanto outra é uma farsa de fracos que sempre dependeu de “pena” pra chegar ao sucesso, isso quando não desistiu ao primeiro sinal de problema. O “no pain, no gain” pode sair da academia pra vida...
