Narrativas Fragmentadas

Existem muitas formas de se contar uma história. A mais comum é aquela em que o contador da história oferece um começo, meio e fim. São histórias fechadas, com um significado pronto. Um exemplo que consigo pensar no momento são os filmes, a história está ali. Você senta e como um espectador absorve e se encanta com o que está sendo oferecido.

Narrativas Fragmentadas

Como eu comentei, existem muitas formas de se se contar algo mas estudei há pouco tempo uma nova forma de se contar histórias que chamou muito a minha atenção. São as narrativas enviesadas.

No lugar do começo-meio-fim tradicional, elas se compõem a partir de tempos fragmentados, sobreposições, repetições, deslocamentos. (Katia Canton)

Então são narrativas que faltam pedaços? Exatamente. São histórias incompletas, as vezes sem um sentido fechado ou sem aquela “moral” do final da história dando sentido a tudo o que foi dito. Mas ai você se pergunta, “Se eu posso contar um história completa, porque iria contar uma história cheia de buracos?”

Participação

Quando eu vejo um filme, me sinto parte dele por estar assistindo ali naquele momento mas o meu real apego emocional a ele não é grande, eu diria que é limitado. E é nesse ponto que as narrativas enviesadas, as narrativas tortas, narrativas incompletas ganham. Pelo fato de existirem espaços vazios na história, nós como seres que buscamos a “boa forma”, preenchemos estes vazios com nossas experiências. E é nesse preencher a arte incompleta com as minhas experiências, com a minha visão de mundo, que este tipo de narrativa se torna mais interessante que a narrativa tradicional. Eu me torno parte da história, sou coautor.

Tudo no seu lugar

Não estou tentando dizer que uma forma é melhor que a outra. Não gostaria de ver um filme no cinema com pedaços faltando, quando vou pra lá quero me divertir. Todavia se tratando, por exemplo, de uma exposição fotográfica a narrativa enviesada dá mais chances para que os espectadores admirem o material exposto. E é interessante como tudo isso funciona porque nem tudo precisa ser pensado, a arte acaba se potencializando no acaso. Mesmo que você não ofereça nenhuma explicação para a foto, no momento em que o observador a vê ele começa a criar uma narrativa, busca sentido, a partir das suas próprias experiências.

Mas e ai?

Tenho visto que a justificativa é o que diferencia a arte do que não é. Lembrando que a função não é dar respostas mas estimular o pensamento. Sugiro que você faça alguns teste de narrativas enviesadas, estimule a participação daquelas pessoas que acompanham seu trabalho. É tão simples quanto o ditado “muitas cabeças trabalham melhor do que uma”. Compartilhando seu trabalho, oferendo a oportunidade dos espectadores acrescentarem e criarem com você sua arte cresce mais. E você? Conhece outra forma interessante de contar uma história?

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