4 prós e contras de antecipar a restituição do Imposto de Renda

Todos os anos os bancos costumam oferecer uma proposta tentadora a seus clientes: receber imediatamente um valor ao qual você tem direito, mas que só estaria disponível daqui a alguns meses. São as famosas antecipações da restituição de Imposto de Renda, que em tempos de crise e dificuldades financeiras podem servir de grande ajuda para resolver o problema de muitas pessoas. O pagamento antecipado da restituição do imposto de renda pode ser a salvação para quitar dívidas pendentes e ter um dinheiro extra para sair do sufoco.

Muitas são as propagandas dos bancos que anunciam os benefícios desse tipo de operação. Porém, nem sempre optar por esse adiantamento é a melhor alternativa. É precisa estar atento aos juros e condições oferecidas pelo banco e analisar todos os prós e contras para saber se antecipar o dinheiro é a decisão certa a ser tomada. Por isso, apresentamos neste artigo algumas questões que devem ser levadas em consideração antes de escolher ou não a antecipação de sua restituição. Confira!

O que é e como funciona a antecipação?

A antecipação é a possibilidade que as instituições financeiras dão para que as pessoas recebam de forma imediata suas restituições do Imposto de Renda. Ela é uma linha especial de crédito que adianta o dinheiro que o declarante tem a receber da Receita Federal: os bancos liberam antecipadamente a quantia para seus clientes, com a garantia de que meses depois o governo irá depositar o valor de suas restituições.

Ela pode ser solicitada por clientes que pediram para receber a restituição em uma conta-corrente do banco, e que tenham declarado o Imposto de Renda por meio eletrônico. A quantia a ser antecipada costuma variar de acordo com o lugar e o perfil do cliente. Algumas instituições prometem antecipar até 100% do que se tem direito, mas normalmente a média do mercado gira em torno de 70% do valor da restituição.

É importante lembrar que a antecipação é um produto vendido pelo banco como qualquer outro, e obviamente o banco só o faz porque ganhará na cobrança de juros e taxas no final da operação. Ela funciona da mesma forma que um empréstimo, com o banco pegando automaticamente de volta o que emprestou (valor emprestado mais juros e taxas) quando o dinheiro cair na conta do cliente, o que acontece normalmente entre junho e dezembro do ano em que o Imposto de Renda foi declarado.

Mas então em que situação optar pela antecipação? Em que cenário ela pode ser vantajosa? E quando é melhor não antecipar e esperar pelo pagamento normalmente?

Vantagens de antecipar a restituição do Imposto de Renda

O dinheiro pode ser usado para saldar dívidas caras

A antecipação pode ser uma saída temporária para quem tem uma dívida urgente no cartão de crédito ou no cheque especial. Se o débito tiver valor inferior ou igual ao saldo da restituição e puder ser quitado totalmente com o valor que o banco liberar, fazer a antecipação pode ser interessante.

Para quem está endividado, tendo de pagar taxas de juros maiores do que aquelas oferecidas pelos bancos e estiver realmente precisando com urgência do dinheiro, a antecipação da restituição poder ser uma solução muito eficiente. É melhor para o cliente pegar o dinheiro antecipado e saldar de uma vez uma dívida cara e com taxas pesadas do que esperar até que o débito cresça mais e se transforme em bola de neve incontrolável.

Os juros da antecipação são menores que em outros tipos de crédito

Como a antecipação é uma operação com garantia, os bancos correm um risco menor de calote. Logo, eles podem colocar taxas e juros mais baixos para o cliente, cobrando normalmente entre 2% e 4% ao mês. Essas taxas são bem inferiores àquelas oferecidas nos cartões de crédito e cheques especiais, que hoje estão por volta de 9% a 15% ao mês, e também são mais baratas do que em alternativas como empréstimo pessoal e crédito consignado.

Logo, se o cliente tem a necessidade de tomar dinheiro emprestado, é melhor que o ele o faça por meio da antecipação do que recorrendo a opções tradicionais de crédito. Uma pessoa que tomasse R$ 2000,00 emprestado por seis meses de um banco, por exemplo, pagaria em média R$ 1514,00 de juros no cheque especial, R$ 330,00 no crédito consignado e R$ 880,00 no empréstimo pessoal. Já por meio da antecipação em um banco público, que tem taxa de 2,31% ao mês, o valor dos juros seria de apenas R$ 292,00.

Desvantagens de antecipar a restituição do Imposto de Renda

A antecipação será menor do que o valor a ser restituído

Antecipando o valor de sua restituição com o banco, você obviamente perderá dinheiro. O banco ganhará pelo adiantamento cobrando juros e taxas e adiantando menos do que o cliente tem direito. Quando houver o crédito da restituição na sua conta, o banco ficará com mais do que lhe emprestou.

Por isso, só é aconselhável optar pela antecipação se realmente existir a necessidade de ter o dinheiro naquele exato momento. Caso contrário, é preferível esperar para receber o valor integral. Se a antecipação for mesmo a única saída, é importante que seja feita uma análise sobre os juros e condições da instituição antes de contratar o crédito. A concorrência por esse tipo de operação é grande entre as instituições financeiras, e o cliente pode conseguir taxas muito boas se souber pesquisar e negociar bem.

O contribuinte pode cair na malha fina e a restituição pode não sair

Antes de pedir aos bancos para antecipar a sua restituição, os contribuintes precisam ter certeza de que tudo está correto em sua declaração de Imposto de Renda. Se a Receita Federal detectar algum problema, como inconsistência de informações ou divergência de valores, o declarante pode cair na malha fina.

Se isso acontecer, a declaração do contribuinte poderá ficar em análise pela Receita por muito tempo, até que todas as revisões sejam feitas. Isso pode causar atraso no pagamento da restituição, alteração do valor e dependendo da situação, o governo pode até não pagar nada.

Caindo na malha fina, o cliente não receberá sua restituição como planejado e terá problemas para quitar a dívida com o banco. Se o dinheiro não for depositado pelo governo até dezembro, o contribuinte terá de arcar sozinho com pagamento do empréstimo, pois o valor será debitado de sua conta normalmente pelo banco. Ou seja, ele terá de arrumar outra forma para pagar o que tomou antecipado, complicando ainda mais a sua situação financeira.

Esperamos que este artigo tenha sido esclarecedor sobre a restituição do seu Imposto de Renda. Se tiver alguma dúvida, deixe seu comentário, e para saber mais sobre educação financeira, nos siga nas redes sociais.