Te odeio, seu… seu… Sheldon Cooper!

Hoje eu estava lendo os comentários do último NerdCast e, em algum momento, uma pessoa disse: "Como esse André é chato, Jesus. Não tem 1 grama de humor". Achei engraçado. Foi ainda mais interessante a discussão que rolou em seguida sobre o porquê eu sou chato. Depois de chegarem à conclusão que sou chato por que tenho uma voz irritante e sou didático em excesso, alguém disse: "Ele é muito Sheldon Cooper". Logo pensei: nossa, pelo menos um elogio aqui.

A gente vive o tempo inteiro montando modelos mentais sobre as coisas. Montamos modelos mentais sobre como as coisas devem funcionar, como as pessoas devem agir e como devemos reagir em certas situações. Esses modelos mentais são muitas vezes baseados nas expectativas que temos sobre as coisas e as pessoas. Por exemplo, quando você começa um relacionamento amoroso com alguém, você implicitamente cria uma série de expectativas sobre como você e a pessoa devem agir, sobre como deve ser o processo de demonstração de amor, de resolução de problemas, etc.

Esses modelos e expectativas, por sua vez, são estruturados com base nas nossas experiências. Se você cresceu e sempre conviveu com pessoas que demonstram carinho com envio de flores e presentes, é esse o modelo mental que você vai montar no seu sistema cognitivo e, quando se envolver romanticamente com alguém, vai implicitamente ter como expectativa esse tipo de demonstração de amor e carinho.

Acontece que a vida não é fácil assim. Pessoas crescem em ambientes diferentes, convivem com pessoas diferentes e, como consequência, montam modelos mentais diferentes. E como é de se esperar, as pessoas criam expectativas diferentes. A arte de viver está em saber navegar e lidar com esses modelos mentais distintos. O bonito da vida é saber adaptar o seu modelo aos modelos que convivem com você.

E nesse sentido, ser Sheldon Cooper é uma coisa boa. Sheldon tem o que a gente chama de personalidade excêntrica. É um tipo de personalidade que não se encaixa perfeitamente nas normas sociais que a maioria das pessoas esperam. Algumas pesquisas sugerem que mentes excêntricas são mentes mais criativas e mais adaptáveis. Uma mente como a do Sheldon Cooper não tem problemas em adaptar os modelos mentais que encontram pelo caminho, até por que, uma pessoa excêntrica naturalmente navega por vários modelos mentais.

Nós temos uma tendência natural de avaliar o nosso ambiente e as nossas interações com base nos nossos modelos mentais. É por isso que geralmente gostamos daquilo que nos é familiar. Gostamos daquilo que encaixa bem no nosso jeito de ver o mundo. Um cientista vai ver o mundo através de uma lente que pode ser um pouco distinta da mente de uma pessoa que não é um cientista (note que eu falei distinta e não melhor). A gente se sente mais a vontade com alguém que vê o mundo de uma forma parecida com aquela que nós vemos o mundo.

Assim, a maneira didática que eu uso pra falar vai encaixar em certos modelos mentais e em outros não. Isso é natural. O tipo de coisa que eu acho engraçado, pode não ser engraçado pra todo mundo. E isso também é bem natural. Às vezes você gosta de pessoas que assistem HIMYM e jogam Gartic. Eu tendo a gostar de pessoas que conseguem isolar sons mentalmente, e se divertem dando zoom no rosto das pessoas em qualquer fotografia. Algumas pessoas chamam isso de ser excêntrico. Mas nas palavras de Sheldon Cooper: "if feelings can’t be explained in any other way. I briefly considered that I had a brain parasite, but that seems even more far-fetched. The only conclusion was love".

E desculpe se essa postagem pareceu muito didática! Se ajudar, leia com a voz do Átila, como se fosse um Nerdologia.