Nascemos livres; nascemos ateus

Um dia desses vi o título de um artigo, que tratava sobre o ateísmo crescente de nossos dias, com a questão: — Quem precisa de Deus?

Até onde vai minha pouca erudição, uma das características fundamentais do ser humano é a busca pela sua independência — ou liberdade de ação. - Nascemos livres, disse alguma filosofia existencial

Até onde vai minha pouca vida e experiência, o que há de comum entre todos nós — pessoas — é que gostamos de nos orgulhar dos nossos feitos, de nossas ações.

Há quem se orgulhe das más ações: eu já vivi isto, e guardo o amargo gosto da maldade na língua.

O que eu gostaria de dizer com isto? Simples. A pergunta do artigo — que saúda o ateísmo — ignora que não precisar de Deus é a nossa condição inicial. Não falo da ignorância intelectiva da presença de Deus, mas da ignorância volitiva.

A nossa vontade é que Deus não exista; é matar a Deus. O ateísmo é a declaração da morte de Deus. Dizer Deus está morto e declarar a sua inexistência e irrelevância.

Quando ignoramos a existência de alguém fica claro que estamos considerando este como morto. Lembremos da expressão falecido no vocabulário da ex-namorada desiludida. É uma declaração volitiva de não-existência.

Este não é um artigo apologético, apesar de me preocupar — e doer — o ateísmo crescente na sociedade secularizada. Na Holanda, li uma reportagem sobre a população ateia daquele país: 44%. Não foi colocado na conta o ateísmo cristão.

O que vem a ser um ateísta cristão? Ainda não li sobre isto, mas deve haver algo — lembrem da minha pouca cultura, peço que me desculpem e que orem para que ela se expanda. Bom, mas o que conceituo agora como ateu cristão é aquele grupo de pessoas que se dizem cristãos, mas vivem como se Deus não existisse: teologicamente declarado de hipócritas, fariseus etc.

O grande incômodo que tenho quanto ao ateísmo na Holanda é que aquele país foi um dos lugares histórico da renovação da fé cristã. Historiadores apontam que a geração moderna — da teologia liberal — foi a responsável pelo crescimento da realidade secular na Europa.

Silenciosamente, aqueles países voltaram ao que era antes da difusão da fé cristã — resultado de muitas missões da igreja. Desiludidas com um Deus morto, eles encontram outras razões — metafísica — segundo a qual viver — seja a lógica da felicidade, do bem, etc.

Muitos apontam como metafísica da vida — no sentido de télos ­aristotélico — a fé no bem e não bondade. Pergunto-me o que seria o bem para ateus e agnósticos? Obviamente, para um ateu declarado não é necessária resposta à questão qual o sentido da vida?.

E as perguntas não me param de chegar. Muitos teólogos tentam responder atualmente a principal delas: O cristianismo tem relevância para o mundo de hoje?

Eles se perguntam quanto a linguagem, método etc. Qualquer bom estudante da Bíblia responde que a única forma é a pregação do Evangelho, mas ateus querem ouvir o evangelho?

Obviamente, a única resposta pronta que tenho é aquela feita pelo artigo — Quem precisa de Deus?.

Amigos, eu preciso muitíssimo. Sem a esperança dele, estou perdido. Não consigo viver bem perdido, imerso na transitoriedade da vida, no mar em tempestade. Tenho amigos que apostam nesta direção sem direções — eles se dizem satisfeitos. Respeito. Mas perdido, eu já fiz muitas destruições — não por falta de moralidade e noção de certo e errado, mas apenas por não conseguir viver de forma digna, respeitando princípios básicos.

Gosto de lembrar a mim e aos meus que sou um psicopata em potencial. Minha esposa fica possessa, quando repito o diagnóstico.

Ao editor da revista apenas respondo: A minha única esperança é Cristo. Que vida sem graça — literalmente seria a minha sem ele, que vida sem graça foi nos anos de meu distanciamento dele.

A falta de fé é a condição inicial do ser humano, até o momento em que mente e vontade — no sentido socrático — conhecem a Ele.

Aquele que conhece — com a vontade, principalmente — a bondade de Deus, amigos, este prefere a morte a negá-lo. Conhecer tal bondade, normalmente se expressa por uma crise de falta de sentido. Ao menos assim foi no meu caso.

Tenho amigos ateus. Consigo amá-los, porque amo a Deus. Antes d’Ele, eu não conseguia amar nem a mim mesmo — queria apenas explodir tudo.

Que coisa, não? (risos)