Teologia é sua idolatria?

Por Marshall Segal

Nós temos frequentemente amado mais o que temos aprendido sobre Deus do que o próprio Deus.

A Bíblia nos alerta sobre o perigo que pode nos sobrevir com nosso conhecimento a respeito de Deus, especialmente o conhecimento teológico refinado e convicto. “Você não pode servir ao mesmo tempo a Deus e à teologia”. A boa teologia é um meio para apreciar e adorar a Deus, do contrário, ela se torna inútil.

Sua teologia tem se tornado em idolatria? Seu conhecimento de Deus irônica e tragicamente tem afastado você d’Ele, e não aproximado? Aqui, estão nove questões que pode ajudar você a diagnosticar uma teologia idólatra no seu coração e na sua mente.

1. Sua teologia atrai você a Deus?

Um maior conhecimento de Deus conduz você mais profundamente à oração? Talvez o teste mais seguro de nossa teologia averigua se ela produz uma grande intimidade com Deus. Ninguém precisou contar a Jesus algo sobre Deus, ainda assim isto não diluiu ou diminuiu em nada a sua necessidade de orar. Em vez disso, isto o aprofundou e vivificou seu compromisso para conhecer seu Pai celestial em oração (Marcos 1:35).

Tim Keller diz,

O teste infalível de sua integridade espiritual, Jesus diz, é sua vida de oração particular. Muitas pessoas oram quando elas são cobradas por sua cultura ou por expectativas sociais ou talvez por uma ansiedade causada por circunstâncias problemáticas. Aqueles com relacionamento vivido genuinamente com Deus como Pai, contudo, desejam orar em privacidade e portanto orarão ainda que nada do lado de fora esteja lhes pressionando a fazê-lo.

2. Sua teologia mobiliza você?

Um maior conhecimento de Deus envia você mais ao mundo. Conhecendo mais de Deus e de sua palavra, deveríamos construir nosso ônus para o mundo ao nosso redor — eles veriam, conheceriam e amariam a verdade que nós temos visto, conhecido e amado. Em cada capítulo estudado, cada passagem memorizada e cada doutrina entendida deve haver um impulso para ir e pregar.

Jesus colocou esta comissão sobre nós,

Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti; Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste (…) Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo (…)para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim. (João 17:7,8; 18; 23)

O objetivo de sabermos algo sobre Deus é para que o mundo também conheça a ele. Sua teologia move-o para missões, para fazer mais por Jesus corajosa e cativantemente onde quer que ele o coloca?

3. Sua teologia liberta você para sacrificar-se em amor pelos outros?

Um maior conhecimento de Deus libera-o para amar e servir os outros? Boa teologia quebra as barreiras entre os cristãos (1 Coríntios 1:10). Ela não as constrói. A hostilidade entre nós foi apagada (Efésios 1:10), e no seu lugar está o amor comprado pelo sangue — um amor que declara que pertencemos a Jesus (João 13:35)

João escreveu,

“Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1 João 4:7,8)

4. Sua teologia mantém em você o anseio por aprender?

Um maior conhecimento de Deus aumenta seu desejo por conhecer mais a Ele? Uma marca da teologia falha é que ela é uma convicção tão bem resolvida que não pode estar errada. Não, uma profunda, sonora, robusta e bem fundada teologia ora “Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei” (Salmos 119:18). Um homem ou mulher que verdadeiramente conhece a Deus nunca poderá ter o suficiente. Afinal, teologia é o estudo da infinita Pessoa, Deus que nunca tem fim e nunca se esgota. Teologia, então não é apenas uma jornada e uma tarefa ao longo da vida, mas algo que temos a fazer pelo resto da eternidade.

Você está aprecia tanto a verdade para alegremente abraçar uma correção? Anseia para que as ideias erradas na sua teologia sejam corrigidas? Se você conhece o único, verdadeiro e vivo Deus, nunca estará aprendendo demais sobre ele. Boa teologia sempre tem espaço para crescer.

5. Sua teologia humilha você?

Um maior conhecimento de Deus aumentou a sua dependência da graça d’Ele? Paulo provavelmente conheceu nosso deus tão profundamente, tão completamente e tão pessoalmente quanto alguém jamais o tenha feito. Em vez de permitir que este conhecimento o ensoberbecesse, pelo contrário, ele o tornou humilde, ainda inimigo violento do orgulho.

Ele audaciosamente declara,

“Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. (1 Coríntios 15:10)”.

Tudo o que eu sou e conheço, eu sou e conheço pela graça de Deus. E tudo o que eu realizo em minha vida e ministro é outra simples demonstração do poder d’Ele e não do meu próprio poder.

Mais uma vez, Paulo, o teólogo dos teólogos, escreve,

“Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. (1 Timóteo 1:15)

6. Sua teologia define o que você aprecia e prioriza?

Um maior conhecimento de Deus converte a adoração a Ele como seu maior desejo? Jesus descreveu a transformação que acontece quando um coração verdadeiramente conhece a Deus nesta curta história: “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo”. (Mateus 13:44)

Sua teologia coloca seu desejo no céu, em vez de em casa ou no trabalho ou on-line — onde ele tem sido mais vivido? Você daria de bom grado qualquer coisa, todas as coisas, para ter Deus para sempre? Quanto mais conhecemos este Deus, mais queremos afastar de nós mesmos as coisas deste mundo e centralizar nossos corações, nossas ambições e nossos anseios sobre ele.

7. Sua teologia produz compaixão em você?

Um maior conhecimento de Deus quebranta seu coração em relação ao perdido e ao necessitado? Um coração resgatado pelo evangelho ama ser um meio de resgate. Paulo escreve, “porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis” (2 Coríntios 8:9). Portanto, nós abundamos em alegria onde quer que haja necessidade. (2 Corinthians 8:2–4).

Quando os apóstolos ouviram o evangelho de Paulo, eles não tentaram corrigir algo na sua doutrina da justificação, mas simplesmente recomendaram que ele se lembrasse dos pobres (Gálatas 2:10).

Essa sugestão de que o ministério para os pobres e necessitados — fisicamente, espiritualmente, ou contrário — está perto do coração de Deus e é fundamental para a propagação do evangelho. Aqueles que conhecem Deus verdadeiramente dão ao pobre livremente.

8. Sua teologia tem Cristo como centro?

O Deus que encontramos na Bíblia — e na nossa teologia — tornou-se carne e habitou entre nós (João 1:14). Tudo o que Deus falou antes sobre Jesus por meio dos profetas, ele disse sobre Jesus — (Lucas 24:27; Jonh 5:39–40 — para preparar o mundo para conhecer e a mar seu Filho. E tudo o que Deus disse antes sobre Jesus, ele disse mais claramente, mais completamente e mais enfaticamente em Jesus (Hebreus 1:2–4). Jesus é a imagem do Deus invisível”, e “Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude” (Colossenses 1:15;19). Conhecer a Deus é o mesmo que conhecer a Jesus.

Toda boa, verdadeira e duradora teologia pode ser resumida a Jesus Cristo e sua cruz (1 Coríntions 2:1–2). Se o Filho crucificado de Deus não é o centro de tudo o que você acredita sobre Deus, sua teologia perdeu seu equilíbrio, sua âncora e seu significado. Não, que nós digamos como Paulo: “quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo. (Gálatas 6:14)”.

9. Sua teologia aumenta seu desejo por santidade?

Conhecer mais a Deus faz você querer ser mais como ele? É suicida desconectar seu conhecimento de Deus da ação de Deus. Jesus tinha palavras duras aos hipócritas, como estas: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Marcos 7:6). Amor pelo pecado expõe má teologia (1 Tessalonicenses 4:5).

Boa teologia levanta uma teologia contra o pecado. “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Salmos 119:11). Deus deu a si mesmo por nós — relevou-se a si mesmo para nós através de sua palavra — a fim de recriar sua própria imagem em nós. E à medida em que nós crescemos em santidade, nossas luzes brilham na escuridão, revelando mais da glória d’Ele para que todos os olhos vejam. (Mateus 5:16)

Pedro escreve,

“Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo”. (2 Pedro 1:3,4)

A humilde e cheia de esperança oração daqueles que conhecem a Deus — que real, verdadeira e alegremente o conhecem — pede “Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei, e observá-la-ei de todo o meu coração. Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer”. (Salmos 119:34,35)

Marshall Segal (@MarshallSegal) é assistente executivo de Jonh Piper e editor associado em desiringGod.org. Ele graduou-se no Bethlehem College & Seminary e é o editor de Killjoys: The Seven Deadly Sin. Ele e sua esposa Faye vivem em Mineápolis (USA).

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Texto publicado originalmente no site desiringgod.org. Tradução André Lisboa.

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