Uma vocação e muitos planos

Normalmente, inicio meu planejamento anual um pouco antes da chegada do ano vindouro — para ter tranquilidade nos meses iniciais. É uma prática bem comum. Este ano foi diferente, principalmente porque, ao longo dos meses de 2017, o novo ano já era uma referência em minhas escolhas e projeções.

Cada uma de minhas ações se configuraram dentro de um plano maior de vida, que tenho seguido há algum tempo. Pode parecer inviável elaborar um extenso plano de vida. Mas acreditem: funciona. Claro, empenho, disciplina e vontade têm de ser gastos para que ele se consolide. Dificilmente, seria possível estar tranquilo neste 1º de janeiro se eu não tivesse um projeto para a vida.

Para criar um bom plano de vida, precisei ter bem definido o meu campo de atuação profissional — a longo prazo.

Passei recentemente por uma transição de carreira entre 2015 e 2017. Era um jornalista já experiente quando decidi me tornar professor de Filosofia. Minha sorte é que eu comecei bem jovem no jornalismo. Aos 20 anos já trabalhava na Rádio Universidade FM. Certo, era um estágio — muito mal remunerado por sinal, mas dava-me uma expectativa.

Três anos depois, eu me tornaria editor no jornal O Estado do Maranhão — que se consolidou como a minha maior experiência profissional até hoje. Foi uma época de muitas descobertas e algumas frustrações. Ganhei amigos, principalmente o então chefe de redação Ribamar Corrêa, uma das maiores referências de jornalismo no estado.

Quase 10 anos depois, quando me demiti de O Estado em um momento de crise da empresa, já sabia que meu destino seria ser professor de Filosofia e que passaria pelo processo de transição de carreira.

Eu sabia que seria bem complicado, e foi. A área da docência é um ramo extremamente fechado — alguns colegas de faculdade até hoje não conseguiram emprego. Tive de criar soluções e correr bastante para garantir uma experiência inicial dentro das salas de aula. Contei com o apoio da família e de amigos.

Paralelamente, surgiam algumas oportunidades de trabalho no jornalismo. As contas preocupavam. Tive de simplificar a vida, conter as despesas. Elas eram boas. Aceitei algumas, mas a insatisfação com a profissão e com o ambiente profissional criavam conflitos internos insuportáveis. Eu precisava me decidir e aportar de vez no ramo da docência.

Primeira reunião do Grupo de Estudos Filosóficos, da Escola de Filosofia / Instituto Valor e Verdade

Apostei nas atividades do Instituto Valor e Verdade, projeto criado ao lado do professor Michael Lima. Foram cursos, oficinais, palestras e consegui trabalhar bastante no campo da Educação. Dentro do instituto, surgiu a Escola de Filosofia — projeto ao qual devo me dedicar mais em 2018.

Paralelamente, decidi distribuir currículos de porta em porta em grandes e pequenas escolas, dando ouvidos à dica de um amigo. Funcionou. Consegui trabalhar em dois projetos escolares pequenos — tive de passar um bom tempo sem receber nada além da experiência. Alguns meses depois consegui uma oportunidade para trabalhar em um colégio maior, o que decididamente melhorou minhas expectativas.

Outra expectativa que se consolidou foi arriscar a seleção para Mestrado Profissional em Filosofia. Graças a Deus, consegui passar. O curso começa em fevereiro. Depois dele, buscarei o doutorado — apesar de todas as demonstrações de dificuldades na vida acadêmica.

Ao longo de todo o ano, estudei com muita vontade — conteúdos de filosofia, educação, literatura e história. Ensinei para aprender conteúdos, como ainda tenho feito. Foram 52 livros lidos, mais apostilas, textos e trechos avulsos. Sei que para me consolidar como docente preciso estar bem preparado. Talvez, veja-me como professor, ao fim da vida, quando me aposentar.

Escolhi esta profissão porque permite o estudo contínuo e profundo, um dos dons que recebi do bom Deus. Esta vocação consolidou-me como projeto de vida profissional. Todas as ações que tomo e os planos que traço são coordenados por este horizonte. Facilitou-me, ao mesmo tempo em que tornou mais árdua a vida. O resto é correr atrás de dinheiro.

Obviamente, não foi tudo fácil. Passei por um período de descoberta, questionamento e orientações. Busquei a Deus nos momentos de dúvida. Aproveitei dificuldades e dilemas em outros caminhos como oportunidade para refletir e repensar novas trajetórias. Simples, mas difícil — como a vida.

Neste ano, vou continuar a distribuir currículo — com um pouco mais de confiança. O trabalho continua — com muito mais empenho.

Avante!

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