As teorias sobre os carecas

Como na música da Rita Lee, um belo dia resolvi mudar e fazer de tudo o que queria fazer. Tudo não, calma aí. Não é assim também. Uma coisa de cada vez. Mas o primeiro passo foi raspar a cabeça. Uma solução radical e mais prática para minha calvície, que já tinha tentado outras vezes, mas deixava os poucos cabelos crescerem de novo.

Desta vez estava decidido. Vai ficar assim, mesmo. E de fato, depois de uns dias, não é que gostei? Teve gente que também gostou, gente que estranhou, gente que perguntou se eu estava com alguma doença grave.

Outros ficaram preocupados com minha sanidade mental. E abaixo segue uma conversa, levemente inspirada em fatos reais, com um amigo pelo Messenger do Facebook.

- E aí, cara, de boa?

- Sim, tudo bem. E você?

- Sim. Acabei de retornar de mais uma sessão de terapia. Cara, realmente está fazendo a diferença, estou com ideias a mil, com mais energia, mais motivado com tudo. Minha vida era uma até uns meses atrás e agora é outra.

- Humm. Que bom, mas, cara… não sei como dizer, mas vou perguntar de novo. Você está bem, mesmo?

- Puxa, sério? Peraí vou me olhar no espelho. Sim, eu tô bem. Acho que não estou com febre, nem gripado. É, tô respirando também. Mas agora eu achei sinistra essa sua dúvida. O que aconteceu? Você teve acesso a algum exame meu?

- Hummm.

- Por quê? Você acha que não estou normal?

- Cara, pra ser sincero, da última vez que fui à sua casa, achei muito estranho te ver careca…

- Hahahaha. Ops, estamos no Messenger, kkkkkkkk e rsrsrsrsrsrsrs. Já tinha raspado outras vezes. No final do ano passado também estava careca, lembra?

- Não!

- Era algo que faz tempo que queria mudar, mas não tinha muito ânimo, aí ficava com essa calvície estranha parecendo vovô. Essa foi uma mudança que melhorou minha autoestima. E, além disso, muitas mulheres aprovaram. Me sinto mais jovem! Bom, menos coroa, na verdade.

- Que bom, mas não sei. Fico pensando nos personagens que raspam a cabeça. Shane, em The Walking Dead; Walter White, em Breaking Bad, e até o Robert de Niro em Taxi Driver. Tudo bem que ele ficou estilo moicano, mas você entendeu o que quis dizer.

Parece que ele ficou mesmo muito preocupado com minha careca, tanto que emendou:

- E também tem tantos vilões carecas no cinema. Dr. Evil do Austin Powers, o Caveira Vermelha, Aquele Que Não Se Pode Dizer O Nome e tem até aquele cara do Meu Malvado Favorito, o pior de todos.

- Cara, foi mal. Em minha defesa lembro que Popeye é careca. Professor Xavier, também. Tudo bem que ambos são chatos do caramba, mas não são vilões. Poxa, e depois que raspei a cabeça não é que comecei a ver um monte de carecas na minha frente. De famosos tem o Vin Diesel, The Rock, Anderson Silva, Samuel L. Jackson, aquele ator que se acha engraçado, o Paulo Gustavo e até meu sósia, Jason Stathan…

- É, pelo menos seu senso de humor melhorou, mas eles são famosos, é diferente.

- E olha que interessante. Pensando nos autores que li nos últimos tempos descobri que homens carecas são mais inteligentes que homens cabeludos. Quer ver? Zygmunt Bauman, Vladimir Safatle, Luiz Felipe Pondé, Leandro Karnal, e Clovis de Barros Filho. Todos carecas. O que me leva a conclusão que Mario Sergio Cortella é um embuste…

- É tem aquele ditado, Deus fez algumas cabeças inteligentes; as outras ele cobriu com cabelo. Se bem que no seu caso, você não é careca, você raspou o cabelo.

Bom, não conhecia o ditado. Então, com a calvície cada vez mais avançada, eu resolvi pegar um atalho! Vamos ver, vamos ver se assim eu chego lá.

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