Ser pai é um aprendizado

André Luís Alves
Aug 8, 2017 · 3 min read

Parece uma coisa boba. Esses dias, logo cedo, me deparei com minha filha chorosa. Estava triste por acordar cedo para ir à escola. Eu perguntei se ela queria um abraço e com a resposta positiva um abraço gostoso foi dado.

As lágrimas pararam e ela avisou que ia se deitar mais um pouquinho enquanto eu e a sua mãe terminávamos de nos arrumar para o trabalho.

Lembrei do Marcos Piangers, papai é pop. Uhuuuuuu. Essa é uma parte gostosa. Mas, isso é novo. Nós, pais do século XXI estamos aprendendo que ser pai é muito diferente do que era quando nós éramos os filhos.

A parte do pai herói é massa. A gente fica feliz. Mas o pai companheiro da mãe, que divide os cuidados com os filhos é ainda mais compensador. Só que nem sempre é fácil. Há diferenças na forma como um e como outro enxergam a mesma situação.

Deixar ir dormir mais tarde, só mais aquele vídeo no Youtube, só mais um docinho antes de ir escovar os dentes, o jeito como lidamos com a organização… Pais, pelo menos eu, tendem a — muitas vezes — ser mais comparsa da bagunça e barulho que o colega da mãe.

Como no caso do passeio de domingo que, ao som da Rihanna — pedido da filha, eu grito: “Todo mundo, no 3… 2… 1… Please don´t stop the music”. Sofia toda alegre, Carlos espantado, mas Deroní com uma cara de… “Meu Deus…”

Kkkk.

E a hora de falar duro então… parece que dói muito mais na gente, dá vontade de ceder, mas sabemos que isso atrapalha e tem que ser feito. “Filha para de fazer essa cara de manha”, “filho, por favor, vamos arrumar a mesa?”. Tem que fazer…

Não gosto quando tenho que falar num tom mais duro, pois prefiro ser “aquele amigo que você respeita”. Ainda que tenha hora que a gente tenha que dizer que também tenho uma certa “autoridade”. Ou mais do que isso, tenho — juntamente com as mães deles — responsabilidade na segurança e no desenvolvimento físico, emocional e intelectual deles.

Concordando mais uma vez com o Marcos Piangers, o pai que se permite ser amigo tem um estímulo criativo muito grande. Por que, nossa, conversar com os filhos, fazê-los entender certos conceitos, explicar nossas verdades nos faz rever muita coisa, pois temos que saber falar de um jeito que eles entendam. E muitas vezes eu compreendi que eu estava errado. Como no caso de música, por exemplo… Por que não ser mais eclético? Menos conservador (tudo bem, já não sou muito, não). Filhos ajudam a rever nossos conceitos.

E tem também a parte lúdica. Puxa, é gratificante quando nos permitimos brincar, deixar a sisudez de lado e embarcar no mundo deles. Seja brincando de casinha, nadando, vendo algum filme ou série, ou conversando sobre os mistérios da vida. Carlos gosta de tecnologia, games e filosofia e já é adolescente. E tira sarro do meu Candy Crush. Sofia tem 5 anos, gosta de todo tipo de música e gosta de perguntar: Tem vários tipos de (gatos, minhocas, fungos, ratos etc)? Então me mostra no Google?.

Por fim, meus filhos são o meu melhor termômetro. Quando eles estão bem e estão carinhosos comigo sei que eu também estou bem. Quando estou estressado ou tenso com alguma coisa percebo que eles se distanciam. Mas tenho percebido isso e visto que preciso relaxar mais.

Inclusive me permitindo me desligar mais à noite e nos finais de semana porque preciso passar um tempo com eles. Preciso tanto quanto eles precisam de mim.

E para minha surpresa recebi uma linda cartinha de Carlos e Sofia no trabalho. E eles já demonstraram bem o carinho e até o humor peculiar que nos define e que transcrevo:

Feliz dia dos pais, pai.

Pai, nós gostamos muito de você, apesar de às vezes nos desentendermos. A gente gosta muito quando: você faz macarrão, brinca, coloca música no carro, vê filmes/séries com a gente, nos ensina algo e principalmente quando cuida da gente.
Sofia: “Obrigado por cuidar de mim, você é o meu melhor amigo”
Carlos: “obrigado por cuidar de mim, pai. Você é o melhor pai que eu tenho.”

Eu é que tenho agradecer vocês, meus filhos!

André Luís Alves

Written by

Jornalista inquieto e cinéfilo. Escrevo por trabalho e por prazer. Autor de "Esqueça o que te disseram sobre amor e sexo"

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