Autopreservação

Quem me conhece de perto sabe que, com o passar do tempo, eu tenho evitado deixar ser absorvido pelos casos de violência amplamente disseminados pela mídia. Não é desprezo ou indiferença ao que aconteceu, mas sim um recurso de autodefesa.

Fico mal com notícias como o caso do estupro coletivo no Rio de Janeiro e da morte de mais de 50 pessoas em uma boate LGBT nos Estados Unidos. Mas o que mais me assusta, para além da barbárie em si, é atestar a pura ignorância e bestialidade da sociedade.

Diferente do que o senso comum tenta nos levar a pensar (“estamos chegando ao fim do mundo, as pessoas nunca estiveram tão violentas”), sei bem que esse comportamento sempre acompanhou a humanidade, basta dar uma rápida olhada nos livros de História. Mas, ainda assim, não consigo lidar com a ideia de que pessoas possam tentar justificar ações do tipo, fazer malabarismos retóricos para embasar seu preconceito e sua estupidez.

Por isso, escolho o silêncio. As manchetes continuam desaguando em mim como agulhas enferrujadas, não se trata de fechar os olhos, mas de evitar, nem que seja por um momento, as reações embebidas de ódio, que tripudiam e questionam a violação do corpo de uma menina, como se seu comportamento justificasse o injustificável, ou se valem da condição sexual e existencial de um ser humano para “validar” uma ação desumana.

Até mesmo os mais otimistas, como eu, esmorecem.

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