Mais uma vez, Rodrigo, você é feliz na sua análise. Gosto de seus textos por conta disso: eles são claros nos argumentos e nas considerações feitas após a análise deles.
O momento não é dos melhores. Mas a sepultura foi cavada há muito tempo. E aqui, como historiador, eu digo: culpar o passado não resolve o problema, mas a solução também não pode vir inteiramente dele.
Temos o costume de nos desviar dos problemas ou de só atacar seus efeitos, pois a energia ou a força necessárias para resolvê-los é descomunal.
Análise e racionalidade não é o forte só brasileiro. Nem do argentino. Nem do americano… Não é forte do ser humano em si. Somos todos animais, apesar de tudo. Queremos o imediato. E queremos para nós, se não for possível para todos.
As eleições só mostram isso: votamos porque “fomos com a cara” do candidato, porque acreditamos que ele é “o único que pode resolver tudo”, mas esquecemos que esse tipo de situação se enfrenta em equipes. Atacando em várias frentes. É como uma guerra. Não é o presidente quem vai resolver. E é aí que tudo começa.
Quem tem mais força dentro das estruturas de poder no Brasil é aquele em que ninguém se lembra quem votou: deputados e senadores. Lá está a raiz do problema. De que adianta um presidente liberal com a câmara mais conservadora da história, ou o contrário? O problema, definitivamente, não está no chefe. Mas nós chefiados.
Queremos algo novo? Então pelo menos a maior parte do que quer que façamos tem que ser novo. Sem medos, sem vícios, sem tramelas.
E digo a maior parte porque a experiência conta muito. E isso nossa classe política, feliz ou infelizmente, tem de sobra. Pra votar no novo, temos que escolher um “não tão velho”.
