Deixem a Anitta ser magra

Há uns dias a Anitta deu mais uma entrevista pra Folha, normal né? Lançando material novo tem mais é que falar com a imprensa mesmo.

Justificando o porquê dela não compor as próprias músicas, ela alegou falta de tempo. Dentre os motivos listados, um era de que ela tinha que “ficar magra”. E ela só disse isso. E pelo que consta, não fez um monólogo sobre magreza e muito menos disse que ser gorda é ruim. Mas a Folha, besta que não é, fez da declaração o principal chamariz pra matéria.

Imprensa taí pra isso, pra pegar uma nota de rodapé e transformar em título.

Bem, como a gente tá vivendo na era da incrível geração que precisa ter uma opinião formada sobre tudo, óbvio que o mais previsível aconteceu. Textões no Facebook. O que teve de gente indignada porque a Anitta precisa ficar magra, nossa!

Como é textão, tem que ter embasamento social-político-econômico-marxista e etc e tal. Tem que gritar contra os opressores do sistema! Tá, é até bonitinho ver todo o clamor contra a indústria cultural que força as mulheres a serem esqueléticas, que não sei mais o quê. Tá, a gente já sabe isso. Estamos tudo careca de saber.

Conta uma novidade, miga.

E, é claro, que sobrou até pra Anitta e pro gênero que ela canta. Como se pra ser cantor obrigatoriamente você precisasse assinar todas as suas músicas. E como se a música que a Anitta traz fosse feita pra ser o suprassumo da produção cultural nacional. Tá a fim de um musicão de qualidade? Tem o álbum da Alice Caymmi que é uma delicia, e dá pra escutar de graça no site dela. Corre lá.

Eu só fiquei meio assim, chocado, foi de ver a fina ironia da vida. Não pestanejam em criticar a Anitta por “ter que ficar magra”, mas são os mesmos que exigem direito de decisão sobre o próprio corpo. Qual a lógica disso? Nenhuma, exceto pra essa incrível geração politicamente correta que consegue dar dois pesos e duas medidas pra absolutamente tudo.

Deixem a Anitta ser magra. Sabem por quê? Porque o corpo é dela.