Quando a TV brasileira vai começar a se dedicar as apresentações musicais de seus programas?

Sempre gostei demais das apresentações musicais da tv gringa. O The XX por exemplo, pra tocar músicas do seu novo álbum no Saturday Night Live chamou Willo Perron, um dos principais diretores criativos dos EUA pra pensar nos detalhes da apresentação e cenário que eles iam usar naquela noite.

Uma vez, no meio de uma entrevista, Jimmy Fallon comentou que foi a um teatro na Broadway e gostou tanto da acústica do lugar que contratou o engenheiro responsável pra projetar a acústica do seu estúdio. Será que o Serginho Groisman tem essa preocupação?

Claro que em geral não dá pra comparar o mercado americano com o nosso, a quantidade de grana que rola por lá é completamente diferente da que rola por aqui, mas usar um pouco da criatividade e sair do playback pode ser um investimento interessante tanto pra televisão que tá transmitindo, quanto pro artista que é atração.

Mas, pelo menos na minha opinião, nem tudo é ruim por aqui, nos últimos tempos três apresentações chamaram minha atenção.

A primeira foi a da Anitta no Prêmio Multishow, em 2016. Medley feijão com arroz, se comparado com Beyoncé, Rihanna etc, sem muita pirotecnia, sem cenário 100% planejado, mas tudo ensaiadinho e bem feito.

No dia seguinte o Multishow foi sagaz o bastante pra disponibilizar no youtube a apresentação na integra, e na minha timeline do facebook consegui contabilizar uns treze compartilhamentos do video com comentários tipo #LACROU e/ou “Rainha do Pop Brasileiro”. A carência no mundo globalizado faz o W.O. regional ser muito vantajoso.

A segunda foi a apresentação do “Cabaré”, show que junta Eduardo Costa e Leonardo, no programa “Sabadão com Celso Portiolli”. Espertos que são, a dupla levou uma pequeníssima estrutura e garantiu algumas horas de atenção em rede nacional tocando suas músicas (em 17% do tempo) e contando causos (em 83% do tempo). Durante o programa Celso elogia o cenário, elogia a banda, elogia a dupla e gasta alguns bons minutos pra falar do corpo de baile. Depois disso é só queimar o DVD e enviar pras prefeituras que em 2017 vai ter show do “Cabaré” no aniversário e/ou feiras agropecuárias de grande parte das cidades brasileiras.

A terceira apresentação que me chamou atenção e deu aquela pontinha de esperança de que os artistas/emissoras estão abrindo o olho pra esse tipo de numero musical televisivo, foi a do MC Kauan no “Programa do Jacaré”.

Tudo começa com um ator contratado, conhecido como Senhor Wilson, declamando um texto ensaiado ao estilo Gil Gomes, com cortes e edição de cor que ainda vão servir de referencia pro Kanye West, criando o clima de tensão pra entrada do MC e sua gangue tenebrosa. Kauan entra em cena usando o combo mascara & juliet e permanece com ela em grande parte da apresentação se mantendo fiel ao conceito do espetáculo. Após entrada de Kauan é possível perceber que eles usam o cenário do programa de maneira jamais antes usada, posicionando um palhaço no telhado surpreendendo a audiência. Detalhes fazem toda diferença. A apresentação é uma adaptação do que acontece no show do MC.

Aproveitar a oportunidade, adaptar e mostrar isso na TV gerando conteúdo pros fãs é o mais sensato a se fazer, e é isso que Kauan fez, resta outros artistas e emissoras de TV fazerem o mesmo.

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