No caminho da volta:

Eu vi senhoras

cansadas

de levarem sua vidas cansadas.

Velhos jornais

sendo lidos

por velhos cansados

de lerem notícias velhas dos dias atuais.

O que seria mais tóxico:

Amar ou armar o próximo?

Os beijos com gosto de halls preto

dos garotos pretos abandonados

que enganam as mulheres largadas

no horário em que largam da escola

antes que larguem a escola de vez.

Os galantes da era moderna

se vestem de tags

e tudo já

ERA.

Vivo.

Vi a sacola de pão

na mão de uma empregada

domesticada.

Foi resultado da guerra que venceu:

uma sacola de pão

para quem não perdeu

pro leão do dia.

Vi a selvageria dos patrões

checando substrato

de seus milhões.

É preciso movimentar as ruas,

as praças, as esquinas.

É preciso tirar as traças

que devoram os jornais

e as meninas.

É PRECISO MOVIMENTOS SOCIAIS.

Vi a tirania

que se instala

não sinto poesia

numa voz que se cala

com um tiro de ignorância

que exala o destino:

prepotência.

E quando é

que esse povo

vai respirar aliviado?

Se é

que um dia

teve consciência

do que é

não estar sufocado!