harmonia

Depois de alguns meses por aqui e viajando mais que apresentador de Globo Repórter, acabei percebendo que tenho uma certa facilidade de me adaptar a novos lugares. Em segundos, já faço do chão do corredor que estou dormindo uma king triple double special size. Parece que nasci sabendo como subir três andares de um triliche (qual seria o nome de um beliche de 3 andares?) bêbado as 5 da manhã. Me deem uma venda que eu acho a frigideira, os pratos e os talheres da cozinha de um hostel novo em tempo recorde (e aí depois entrego pra algum cozinhar alguma coisa melhor que meu ovo mexido deluxe ou meu arroz queimado gourmet).

Não que isso seja grandes coisas. Muito pelo contrário. Não é pra me vangloriar e nem é um anúncio publicitário de mim mesmo com essas capacidades extremamente extraordinárias na humanidade. É pra falar do exato oposto. Enquanto existem esses lugares camaleões, existem outros em que eu não consigo, nem por um milagre divino, entrar em sintonia. Preciso de um manual de instruções pra sobreviver.

Nesse momento, por exemplo, escrevo sentado na sala de estudos de uma biblioteca. E foi exatamente olhando pros dedicados estudantes-futuros-vencedores-do-nobel-de-quimica que estão aqui sentados do meu lado que eu realizei que não nasci pra esse tipo de coisa. Já foram várias tentativas, desde os tempos de escola. Mas não consigo até hoje compreender o código de convivência de uma biblioteca. Como eles conseguem cochichar, se comunicar e não atrapalhar ninguém ao mesmo tempo. Se eu fosse um urso panda entrando nessa sala de estudos não chamaria tanta atenção como quando eu tento qualquer comentário.

Já nascem preparados pra falta de lugares perto de uma pilastra, chegando armados das suas extensões de tomadas de 5 quilômetros.

50 tons de marca textos.

E aqueles assuntos na hora do cafezinho lá fora, na area de convivência? Talvez seja a acústica do lugar, mas pra mim tão sempre falando da bolsa de valores chinesa. Em chinês.

Sem falar da academia. Horas numa esteira, em frente a uma pista de cooper a beira mar, separados somente por um vidro. Ah, mas como é muito melhor ficar lá dentro com aquele cheiro gostoso que se espalha pela sala com aquele ventilador velho e barulhento, com os grunhidos da sala de spinning ao lado, e os respingos da instapugliesibolinaurach!

Achar milho de pipoca no supermercado? Azeitona? Deixa a parte dos pães e do shampoo comigo que eu garanto. De resto, se quiser terminar de fazer as compras antes de amanhecer outro dia, é melhor não.

Melhor parar por aqui enquanto só sou burro e magrelo. Se no começo prometi não fazer uma auto promoção de mim mesmo, talvez agora eu esteja precisando de pelo menos alguma coisa. Qualquer ajuda na recuperação, to aceitando.

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