três pontos pra casa

Com a intenção (ou pretensão?) de realizar alguns sonhos em 2016, inicio o ano com um daqueles que ainda tenho fé que se tornará realidade algum dia: ser jogador de futebol. Todos jogadores, absolutamente todos, após ganhar um título ou algum jogo importante, seguem aquele script de agradecer “com certeza primeiramente a Deus por levar os 3 pontos pra casa…” e por aí vai.

Pra já começar a entrar nesse espírito, aqui vai o ensaio da minha coletiva de imprensa. Ainda não tem troféu nem medalha, mas atualmente, passaporte carimbado pra mim é titulo.

E depois de praticamente 1 mês fora de casa, com a casa nas costas,

“agradeço primeiramente ao meu mochilão, eterno e fiel companheiro, guerreiro que aguentou todos os trancos, barrancos e situações possíveis — você sabe bem o que é estar no aperto;

a todos os sanfoneiros, violoncelistas, baixistas, guitarristas e artistas de rua em geral que deram uma trilha sonora constante pra viagem em calçadas e e estações de metrô — desculpa pela quantidade mínima de contribuições, prometo o voto quando forem pro The Voice;

a todos os pores do sol (ou pors do sol? Ou por do sóis?) que tive a honra de presenciar durante todos esses dias — beleza maior não há;

a todas geladeiras ou garçons que trouxeram cervejas por aí — vocês são guardiões da maior recompensa de todas, que faz subidas e descidas de morro terem sentido;

ao céu do deserto e as suas estrelas cadentes, que só nos fazem lembrar o nosso tamanho no mundo — somos apenas grãos de areia;

a todos os encontros e coincidências assustadoramente espetaculares — nós somos gigantes, e o roteirista disso tudo merece Oscar vitalício;

a todos os mapas de metrô (menos os teus, Polônia fdp) que conseguem explicar pra onde vou mesmo sem conseguir pronunciar nem metade do nome da estação — falar alemão, tcheco e húngaro não é coisa desse planeta;

a todos os guias de free walking tour espalhados por aí (menos os teus, Polônia fdp) que dão um tempero especial de história a cada lugar que passei — nenhuma calçada, nenhuma placa, nenhum estacionamento por aí é totalmente banal;

a todas as famílias que se reencontraram em aeroportos mundo a fora nesse fim de ano — a cada abraço de “feliz natal” entre vocês, um pedaço da distância lá pra casa diminuía;

a todos os Snickers;

a todos que me abrigaram por aí — prometo pra vocês mais sofá que as Casas Bahia pode oferecer, seja onde for;

a todo mundo que eu tive a honra de conhecer por aí — tem gente foda em todo canto desse mundo;

a Madrid (e ao 100 Montaditos), por ter sido o começo e o fim disso tudo;
as descobertas de um mundo novo no Marrocos;
as loucuras de uma cidade que pulsa 24h em Berlim;
aos azares da Polônia;
ao Natal mais Natal de todos os tempos, sendo ao mesmo tempo o Natal menos Natal de todos os tempos de Praga;
ao acolhimento de Bratislava;
as surpresas e mágicas de Viena;
a beleza estonteante de Budapeste;

a todas as outras cidades, países, continentes, vilarejos e casinhas que não conheço, e que justamente por ainda serem desconhecidas, continuam sendo a faísca necessária pra me fazer seguir viajando por ai sem parar nunca mais;

e por fim, ao mundo todo e todo o conhecimento que nos é oferecido sempre, sendo o melhor anfitrião que já se viu. Obrigado por essa felicidade especial que se tem ao te conhecer um pouco mais.”

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