Levanta porque ainda há motivo pra viver

Já fazem três dias que habito o chão do meu quarto. Talvez eu nunca tenha encontrado um tapete tão confortável quanto o meu. É mesmo uma lástima que eu tenha que levantar daqui na segunda-feira, para fazer uma prova de “Interações Sociais” — que é justamente do que estou fugindo agora. É daqui, do lugar mais baixo que eu poderia estar, que falo.

As máscaras

O ser-humano é mesmo um ser curioso. Ao contrário dos outros animais, a maioria de nossas ações partem do medo. Por medo de não ter o que comer, nós trabalhamos. Por medo de não ter trabalho, nós estudamos. Por medo de viver sozinho, nos relacionamos. Por medo de não ter amigos, nós sorrimos…

E assim, a cada dia que passa, vestimos uma fantasia diferente. O ser-humano é realmente um ser adaptável ao adverso.


As decepções

Do nosso medo, nasce a esperança de que o outro seja o que nos falta. O problema é que o outro, em algum momento, nos mostrará que aquilo era só mais uma fantasia. Que aquela história era só mais uma tão descartável quanto as fitas-cassetes.

E, na maioria das vezes, não estamos preparados para esse momento.


O desespero

Chega um dia em que descobrimos que o estudo, a vontade e a dedicação não garantem o nosso emprego. Aí começamos a questionar as nossas opções. Começamos a reavaliar todos os caminhos que ignoramos e passamos a acreditar que escolhemos o pior.

O mundo desaba em um poço de incertezas, sendo que a única certeza é que esse poço não tem fim.


O chão

Um dia nos pegamos deitado em posição fetal, chorando e no chão. Se recuperar é difícil, pode ser que passe um dia ou um mês até que a gente consiga entender que, apesar de tudo, é preciso primeiro confiar.

Confiar que os seus sonhos podem ser realizados. Confiar que ainda vale a pena viver. E principalmente, confiar que existe alguém no mundo que ama você.

Mas pra isso, você tem que levantar.

Ps.: Enxuga a lágrima, lava esse rosto. Hoje é um novo dia e todo dia é dia de vencer.

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