The Drone Papers: O Glossário Visual

Esse é um labirinto com 12 entradas e nenhuma saída. Ele foi construído com base em uma série de documentos fornecidos ao The Intercept por uma fonte de dentro da comunidade de inteligência.

Texto: Josh Begley — Tradução: André Quintão

PÁSSAROS

A primeira bomba lançada de um avião explodiu em um oásis fora de Trípoli, em 1º de novembro de 1911.

Enquanto voava sobre Ain Zara, na Líbia, o tenente Giulio Gavotti se inclinou para fora de seu avião, que parecia uma libélula, e deixou cair uma granada de mão — Haasen. “ele pousou no território inimigo com bons resultados.”

Cem anos deepois, o bombardeio é feito por aviões não tripulados. Eles são controlados remotamente, muitas vezes, a meio mundo de distância. Começamos a chamá-los de “drones”.

No interior, as pessoas chamam de “pássaros”.

Foto: U.S. Air Force

Os operadores podem ver os seus alvos por horas, muitas vezes a partir de seus quartos climatizados, até que recebem a ordem para disparar. na hora certa, uma sala cheia de gente vai ver como se uma fotografia estivesse sendo tirada.

OBJETIVOS

Na maioria das vezes, os operadores de drones estão tentando matar alguém em específico. Eles chamam essas pessoas de alvo — ou “objetivos”.

O que é um objetivo semelhante? Aqui está um exemplo.

Este cronograma foi para um homem chamado Bilal el-Berjawi. As agências de inteligência o observou por anos, até que o governo britânico negou a sua cidadania.

Depois de telefonar para a sua esposa, que tinha acabado de dar a luz em um hospital de Londres, Berjawi foi morto por um ataque de um drone estadunidense. Algumas pessoas pensavam que a ligação havia revelado a sua localização, mas os drones já sabiam onde ele estava.

Este foi o seu carro.

JAKPOT

Quando os operadores de drones acertam o alvo, matando a pessoa que eles pretendem matar, essa pessoa é chamada de “jackpot”.

Quando eles perdem o seu alvo e acabam matando alguém, eles rotulam essa pessoa como EKIA, ou “inimigo morto em ação”.

EKIA

Ao longo de um período de cinco meses, as forças armadas dos EUA usaram aviões e outras aeronaves para matar 155 pessoas no nordeste do Afeganistão. Eles alcançaram 19 jackpots. Ao longo do caminho, mataram pelo menos 136 pessoas, todos os quais foram classificados como EKIAS, ou inimigos em ação.

Note a coluna de porcentagem. É o número de jackpots (Jp) dividido pelo número de operações. A taxa é de 70% de sucesso. Mas ele ignora bem mais de uma centena de outras pessoas mortas pelo caminho.

Isso significa que quase 9 em 10 pessoas mortas nesses ataques não eram alvos pretendidos.

TOUCHDOWN

Mísseis Helfire — os explosivos disparados por drones — nem sempre são disparados contra pessoas. Na verdade, a maioria dos ataques de drones são destinados a telefones. O cartão SIM fornece a localização, quando o aparelho está ligado, ele pode se transformar em um proxy mortal para o indivíduo que está sendo caçado.

Quando uma operação ou drone neutraliza com sucesso o “telefone alvo”, os operadores chamam isso de touchdown.

FIGURINHA DE BASEBALL

“Figurinha de Baseball” (BBCs) é o método militar para visualizar informações do alvo. Elas são usadas para exibir dados, mapa de relações e identificar o padrão de vida do indivíduo.

Tudo bem, isso pode não parecer mesmo com uma “figurinha de baseball”, mas eles estão inserindo bastante as seguintes informações.

PISCAR

O “piscar” acontece quando um drone tem que se mover e não existe outro para continuar assistindo o alvo. De acordo com os documentos, este é um grande desafio para os militares, que sempre querem ter um “olhar fixo e persistente”.

A vigilância perfeita seria ter um olho sem pálpebras. Muito do que se vê através de uma câmera de um robô, no entanto, parece sem contexto. Alguns operadores descrevem a experiência como “enxergar através de um canudo de refrigerante”.

PEGADA

Drones não são mágicos. Eles tem que ser comandados de algum lugar. E cada vez mais eles são comandados de algum lugar do continente africano.

Mas onde exatamente?

A partir de 2012, o COmando de Operações Especiais (JSOC) tinha bases em Djibuti, Quênia e Etiópia. Eles operaram 11 Predators e Reapers, cinco drones sobre o Chifre da África e o Iêmen.

Depois de terem vários drones Predator abatidos, perto de Camp Lemonier, os militares estadunidenses moveram as operações para uma pista de pouso mais remota em Chabelly, Dijibouti.

Chabelley, Djibouti. Novembro 2014. Foto: Google Earth

Aqui nós temos uma “visão estadunidense” sobre a sua capacidade de vigilância no continente africano.

ÓRBITAS

Os militares estadunidenses possuem preocupações em relação ao que chamam de “tirania da distância”. Essa preocupação, como já foi relatada, se dá devido ao fato de que as bases de ataque no Iêmen e na Somália se encontram mais distantes do alvo preterido — se comparado com as operações realizadas no Iraque e Afeganistão. Essa áreas a serem percorridas — entre a base e o alvo — são chamadas de “áreas de interesse”, ou NAIs.

A imagem abaixo mostra o mapa do Iêmen com a localização em que as pessoas foram mortas pelas operações de assassinato.

CADEIA DE PODERES PARA ASSASSINAR

Há muitos anos que os advogados e defensores dos direitos humanos se perguntam sobre a cadeia de poderes para se realizar um assassinato. Como são os processos relacionados a assassinatos não-autorizados no campo de batalha? Isso cai como responsabilidade da Autorização para o Uso de Força (AUMF) ou para outra autoridade?

Os documentos obtidos não são suficientes para responder a questão. Porém, sugerem uma cadeia linear até o presidente dos Estados Unidos (POTUS).

WATCHLIST

Como informamos no ano passado, as agências de inteligência dos EUA caçam as pessoas, principalmente, com base em seus telefones celulares. Equipado com uma “torre simulada”, chamada de Gilgamesh, os drones são capazes de usarem o sinal do celular para mirar e, posteriormente, triangular a localização da pessoa.

Segue abaixo uma imagem demonstrando uma lista de geolocalização, baseada no sinal dos telefones celulares.

LOCALIZAR E MATAR

As operações da Inteligência estadunidense se resumem a um círculo: localizar uma pessoa, reconhecer e matar. Mas há dois outros passos: explorar e analisar.

Dessa forma, o ciclo — ao qual chamam de F3EA — é sempre realimentado. Assim que um alvo é morto, começa-se a busca por um novo.