A espera valeu a pena: ‘Batman vs Superman’ é tudo que o fã aguardava

Do anúncio oficial até o lançamento, foram quase três anos para os fãs finalmente assistirem a “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” nos cinemas. Mais do que isso: foram décadas, afinal toda pessoa que já leu quadrinhos dos personagens mais icônicos de todos os tempos um dia sonhou em vê-los dividindo as telonas. Ideias surgiram e projetos até foram iniciados, mas só agora – muito por culpa do sucesso da concorrência – o universo cinematográfico da DC Comics começou a surgir. E com o pé direito.

Confronto épico: Batman e Superman se enfrentam num filme feito para os fãs (DIVULGAÇÃO)

“Batman vs Superman: A Origem da Justiça” é uma grande ópera de super-heróis. O diretor Zack Snyder (de “300", “Watchmen” e “O Homem de Aço”) fez questão de reforçar isso através das suas escolhas – acertadas em sua maioria. As figuras do Homem de Aço e do Homem-Morcego são mitológicas e foram tratadas como tal no filme. Os personagens não são só heróis; são lendas. Mitos. Deuses. E a todo instante o longa nos faz lembrar disso, seja com o bom uso dos efeitos especiais ou com os diálogos incríveis do excelente roteiro de Chris Terrio.

O filme começa amarrando as pontas soltas de “O Homem de Aço”. Metropolis vai aos poucos se reconstruindo e passando a confiar no homem (?) que salvou milhões, mas foi responsável (indiretamente) pela morte de outros tantos. E é esse o dilema que permeia o longa: o mundo precisa de um Superman (Henry Cavill)? Para Lex Luthor (interpretado de maneira única por Jesse Eisenberg), a resposta é não. O excêntrico bilionário questiona a necessidade de um ser todo-poderoso em meio à humanidade e inicia um plano para expô-lo como fraude. E esse plano esbarra em outro excêntrico bilionário…

Mais velho, mas bom de briga: Ben Affleck interpreta o melhor Batman dos cinemas (DIVULGAÇÃO)

Atormentado pelos fantasmas de seu passado, Bruce Wayne (Ben Affleck) trava, como Batman, uma guerra contra a criminalidade na vizinha Gotham City. Esta pode ser considerada a melhor retratação do personagem nas telonas. Cansado e brutal, o Homem-Morcego de Snyder traz ao cinema o melhor dos quadrinhos e também dos games (quem jogou a série “Arkham” vai saber do que estou falando). É um Batman que não liga de chegar com os dois pés no peito. E que não quer ter outros problemas para resolver, como um alienígena com o poder de destruir a raça humana. E é aí que o “vs” do título começa a se justificar.

Lex então trama para que os dois maiores heróis de todos os tempos se confrontem. Toda a artimanha do personagem – talvez o melhor do filme – é magistral. Um plano digno de um dos maiores vilões da história dos quadrinhos. E o confronto não deixa a desejar. A treta épica entre o “dia” e a “noite” impressiona e faz o espectador se contorcer na cadeira do cinema, esperando que o embate termine. Chega a ser agonizante, e é essa a sensação que a produção esperava. Ao mesmo tempo que você quer ver o combate, você espera que eles façam as pazes. Afinal, o “A Origem da Justiça” no subtítulo do filme não é gratuito.

Sim, a Liga da Justiça começa a ser formada em “Batman vs Superman”. Temos a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em plena forma e também relances de outros heróis, como o Flash e o Aquaman. E tudo faz sentido após o último ato – magistral e com referência a uma das maiores histórias do Superman. É um filme fan-service e que não esconde isso. Vai agradar críticos de cinema? Alguns sim, outros não. Isso é normal. Mas quem cresceu lendo as histórias dos personagens DC vai simplesmente adorar. Por isso, se você leu críticas negativas e ficou com o pé atrás, esqueça tudo. Vá ao cinema e testemunhe o nascimento de algo novo. Você não vai se arrepender.