‘Hacksaw Ridge’: encontrando esperança em meio à guerra

Filmes com a temática guerra sempre caem no gosto da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, entidade responsável pela indicação e premiação do Oscar – o maior prêmio da sétima arte. Talvez isso ocorra por conta de uma reverência – muitas vezes exagerada – às pessoas que abdicaram de suas vidas para defender os Estados Unidos nos dois grandes conflitos mundiais (e em tantos outros provocados pelo próprio país…).

Hacksaw Ridge (Até o Último Homem no Brasil) provavelmente seja mais uma obra indicada ao Oscar – em seis categorias, incluindo melhor filme – por abordar tal tema, mas tem seus méritos. E eles são inegáveis. A produção caprichada, o roteiro bem escrito e a performance espetacular de Andrew Garfield no papel do protagonista fazem do novo filme dirigido por Mel Gibson algo memorável – tanto que os dois também foram indicados à premiação em suas respectivas categorias.

O filme mostra a história real de Desmond Doss, um jovem que se alista no Exército americano em plena Segunda Guerra Mundial porque quer servir ao seu país – mas sem deixar sua fé de lado. Vindo de uma família religiosa (porém desestabilizada por conta do pai alcoólatra), o rapaz se nega a tocar em armas e matar pessoas. E essa recusa o faz sofrer dentro da própria corporação.

Mas Hacksaw Ridge não é só um filme de guerra. Ele encontra, principal no primeiro ato, espaço para um singelo romance entre Doss e a enfermeira Dorothy (Teresa Palmer). Não tem como não se apaixonar pelo casal, que está em ótima sintonia na telona.

Além disso, o filme transparece uma bela mensagem de fé e esperança para momentos adversos, quando tudo parece chegar ao fim. Doss – tanto no filme como na vida real – salvou mais de 75 homens durante a Batalha de Okinawa, no Japão, sem relar um dedo num rifle (não é spoiler porque o filme é baseado em fatos).

Contando no elenco ainda com os ótimos Vince Vaughn, Sam Worthington e Hugo Weaving, Hacksaw Ridge se tornou – ao menos por enquanto – meu preferido ao Oscar. Certamente não levará, mas, como o próprio filme prega, é necessário ter esperança. (9/10)