‘La La Land’ e a homenagem aos grandes musicais do passado

André Roedel
Jan 18, 2017 · 2 min read

Assim como gêneros musicais que ora estão nas paradas de sucesso ora descem ladeira abaixo, os gêneros do cinema também alternam em popularidade. Hoje, por exemplo, vivemos a era das ações explosivas e adaptações de livros infanto-juvenis e quadrinhos. Mas, num já longínquo passado, o que fazia sucesso mesmo eram os musicais.

Nomes como Gene Kelley, Julie Andrews e Fred Astaire cantavam e dançavam em filmes que hoje são considerados clássicos do cinema mundial. Porém, hoje, os musicais foram deixados de lado. Tirando um filme da Disney e outro lançamento pequeno, quase não os vemos em cartaz nos cinemas mundo afora. La La Land: Cantando Estações, grande vencedor do Globo de Ouro e favorito ao Oscar, pode não mudar esse panorama, mas deve fazer o público olhar o gênero com outros olhos.

Emma Stone e Ryan Gosling estão em perfeita sintonia no longa-metragem favorito ao Oscar (DIVULGAÇÃO)

Escrito e dirigido pelo competente Damien Chazelle (de Whiplash: Em Busca da Perfeição, outro filme que tem na música elemento vital), o filme resgata a magia dos musicais através de um lindo e singelo romance protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling, um design de produção caprichado e danças impecavelmente ensaiadas. Nada sai do compasso ao longo das pouco mais de duas horas de longa-metragem.

Os atores, que pela terceira vez encenam nas telonas um casal, provam ter uma química invejável para interpretar Mia e Sebastian, jovens artistas em busca do sucesso em Los Angeles. Ela é uma atriz que nunca dá sorte nos testes, enquanto ele é um jazzista fracassado. Ambos sonham com um futuro melhor enquanto dançam, cantam e descobrem o amor. E é preciso destacar que os dois estão excelente no filme, fazendo tudo muito bem.

E a atmosfera do filme nos faz sentir aquela nostalgia boa dos filmes antigos, trazendo referências sutis ao longo da trama (como não se recordar de Cantando na Chuva quando o personagem de Gosling dá uma simples rodopiada em um poste?). Mais do que despertar a memória afetiva do espectador, La La Land presta um verdadeiro tributo ao gênero que alavancou a sétima arte — e que, como o jazz, ficou de lado. Se você gosta de cinema como forma de arte, La La Land é pedida certa. (9,5/10)

PS: Ouça a maravilhosa trilha sonora do filme neste link aqui.

André Roedel

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