‘La La Land’ e a homenagem aos grandes musicais do passado
Assim como gêneros musicais que ora estão nas paradas de sucesso ora descem ladeira abaixo, os gêneros do cinema também alternam em popularidade. Hoje, por exemplo, vivemos a era das ações explosivas e adaptações de livros infanto-juvenis e quadrinhos. Mas, num já longínquo passado, o que fazia sucesso mesmo eram os musicais.
Nomes como Gene Kelley, Julie Andrews e Fred Astaire cantavam e dançavam em filmes que hoje são considerados clássicos do cinema mundial. Porém, hoje, os musicais foram deixados de lado. Tirando um filme da Disney e outro lançamento pequeno, quase não os vemos em cartaz nos cinemas mundo afora. La La Land: Cantando Estações, grande vencedor do Globo de Ouro e favorito ao Oscar, pode não mudar esse panorama, mas deve fazer o público olhar o gênero com outros olhos.

Escrito e dirigido pelo competente Damien Chazelle (de Whiplash: Em Busca da Perfeição, outro filme que tem na música elemento vital), o filme resgata a magia dos musicais através de um lindo e singelo romance protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling, um design de produção caprichado e danças impecavelmente ensaiadas. Nada sai do compasso ao longo das pouco mais de duas horas de longa-metragem.
Os atores, que pela terceira vez encenam nas telonas um casal, provam ter uma química invejável para interpretar Mia e Sebastian, jovens artistas em busca do sucesso em Los Angeles. Ela é uma atriz que nunca dá sorte nos testes, enquanto ele é um jazzista fracassado. Ambos sonham com um futuro melhor enquanto dançam, cantam e descobrem o amor. E é preciso destacar que os dois estão excelente no filme, fazendo tudo muito bem.
E a atmosfera do filme nos faz sentir aquela nostalgia boa dos filmes antigos, trazendo referências sutis ao longo da trama (como não se recordar de Cantando na Chuva quando o personagem de Gosling dá uma simples rodopiada em um poste?). Mais do que despertar a memória afetiva do espectador, La La Land presta um verdadeiro tributo ao gênero que alavancou a sétima arte — e que, como o jazz, ficou de lado. Se você gosta de cinema como forma de arte, La La Land é pedida certa. (9,5/10)
PS: Ouça a maravilhosa trilha sonora do filme neste link aqui.
