Love: desconstruindo a beleza do amor

“Você já amou? É horrível, não? Você fica tão vulnerável. O amor abre o seu peito e abre o seu coração e isso significa que qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, para que nada possa lhe causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outro idiota, entra em sua vida. Você dá a essa pessoa um pedaço seu, e ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa besta como beijar você ou sorrir, e de repente sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e lhe deixa chorando na escuridão. E então uma simples frase como ‘talvez devêssemos ser apenas amigos’ se transforma em estilhaços de vidro rasgando seu coração. Isso dói. Não só na sua imaginação ou mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma verdadeira dor-que-entra-em-você-e-o-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim, principalmente o amor. Odeio o amor.”

A frase acima não é de “Love”, nova série original que a Netflix lançou sem fazer muito alarde, mas sim da personagem Rose Walker na HQ “Sandman”, de Neil Gaiman. Porém, a citação talvez seja a melhor forma de compreender a produção de Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos”). “Love” trata, obviamente, de amor, mas sem romantizar em excesso esse sentimento. Na verdade, ela desconstrói toda a beleza pintada por outros filmes e séries do gênero.

Mickey e Gus: a inaptidão para relacionamentos os juntou (DIVULGAÇÃO)

A série acompanha dois personagens muito diferentes, mas que compartilham uma característica: a inaptidão para relacionamentos. Gus (Paul Rust, um dos criadores do show) é um professor que trabalha no set de filmagem de uma série de TV, enquanto Mickey (Gillian Jacobs, da ótima “Community”) trabalha como produtora em uma estação de rádio. De maneira não convencional, os dois acabam se conhecendo e iniciando um romance. E é a partir daí que a vida dos dois começa a mudar.

Ao longo de 10 episódios (de meia hora cada), “Love” mostra como os relacionamentos podem ser nocivos. E como a dependência do amor nos coloca em situações desagradáveis. Porém, também mostra o quão importante é ter alguém do nosso lado, para podermos compartilhar nossas alegrias e frustrações. Ou seja, a série mostra o amor como ele realmente é – ou pelo menos como ele deveria ser tratado.

Com um humor não convencional, muitas referências à cultura pop, roteiros afiados e um elenco de apoio muito bom (destaque para a australiana Bertie, colega de Mickey, Interpretada por Claudia O’Doherty), “Love” é daquelas séries que prendem o espectador, fazendo com que ele reflita e se divirta. Vi todos os episódios nesse fim de semana e já estou no aguardo da segunda temporada – que, ao que tudo indica, vai acontecer. Recomendadíssima.

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