O Regresso: VAI QUE É TUA, DICAPRIO!
Já virou meme: Leonardo DiCaprio, astro de Hollywood e um dos maiores atores de sua geração, não tem Oscar. Mesmo com sucessos como “Ilha do Medo”, “A Origem”, “Django Livre”, “Os Infiltrados” e “O Lobo de Wall Street” — este último o seu maior trabalho, na minha opinião — o eterno protagonista de “Titanic” jamais subiu ao palco para levar a estatueta de Melhor Ator do ano. Mas isso há de mudar.

DiCaprio tem tudo, mas tudo mesmo, para conquistar o Oscar por sua grandiosa atuação em “O Regresso”. Dirigido pelo mexicano Alejandro G. Iñarritu — este sim vencedor do Oscar — o filme é baseado no livro de Michael Punke, inspirado na história real de Hugh Glass. É um filme, mais do que tudo, de superação. Durante uma expedição no Velho Oeste americano, Glass é atacado por um urso e deixado para morrer pelos seus amigos. Porém, tal como um Highlander, ele sobrevive e passa a empenhar todas as suas forças para vingar a morte de seu filho.
Apesar de contar com outros grandes nomes do cinema atual — como Domhall Gleeson (de “Harry Potter”, “Ex Machina” e “Star Wars: O Despertar da Força”) e Tom Hardy (de “Mad Max: Estrada da Fúria”), que por sinal estão incríveis — “O Regresso” é centrado na atuação visceral de DiCaprio. O ator de 41 anos se entrega ao personagem, fazendo talvez uma das interpretações mais impressionantes dos últimos tempos. Isso com poucas palavras e gestos, pois na maior parte do tempo ele está imobilizado numa maca improvisada, contando apenas com seus olhos para atuar.
Mas “O Regresso” é mais que DiCaprio em grande fase; tem também uma história incrível, uma fotografia espetacular e uma edição de som primorosa. O filme é uma verdadeira experiência sensorial cuja qual você precisa assistir na telona do cinema, com aquele som envolvente. Iñarritu faz o espectador imergir na trama, sentindo a dor de Glass — tanto física quanto mental. São 156 minutos de sofrimento, mas um sofrimento belo.
“O Regresso” é rústico, mas ao mesmo tempo sofisticado. Possuí cenas que deixam até os menos sensíveis com o estômago embrulhado, porém conta com cenas poéticas e de uma delicadeza impar. Ponto para o diretor mexicano, que também faz por merecer um segundo Oscar consecutivo — ele venceu na última edição pelo questionável “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”. Mas a bola está com DiCaprio. O filme é dele. Ele está embaixo do gol vazio, esperando para correr para o abraço. Vai que é tua, Leo!