Bonitinho, mas ordinário
Um adjetivo que, num primeiro momento, pode soar inocente, o Bonitinho é a prova verbal da dificuldade humana em revelar seus sentimentos a/sobre outros humanos.
Já ouviu alguém dizer que uma maçã, por exemplo, é Bonitinha?
Ou um gato? Um cachorro?
Eu nunca vi e espero, de verdade verdadeira, não ouvir.
“Mas não posso mais chamar nada de “Bonitinho”?
PODER você até pode. Aonde eu disse que não?
O lance é que chamar um objeto de Bonitinho, mesmo que para nossos ouvidos não soe pejorativo, no fundo não passa da nossa incapacidade de assumir um lado da história. Imagina um ser humano?
Bonitinho está mais para Feio ou para Bonito?
Qual é o problema em dizer “Feio?”.
Aliás, qual é o problema em dizer “BONITO”?
No que diz respeito à percepção que você tem de uma outra pessoa, eu não estou aqui para te julgar, tão pouco dizer que você não deveria achar ninguém Feio. Mas quem sou eu, não é mesmo?
Aliás, só avisando que você aí do outro lado também não é lá grandes coisas para me julgar.
Mas e aí?
É tão difícil achar alguém Bonito?
Que tal abandonar o Bonitinho e partir para o Bonito de uma vez?
Não dói e não exagera: é Bonito e pronto.
E o que você julgar como Feio, guarda para você.

