CONTINUAÇÃO CAP.I “BENVENIDO”
E lá estava Jorge , dando seu primeiro passo para se firmar em novas terras. Sua determinação fez com que saísse do bairro de Mangabeira , entre milhares de Pessoenses e estabelecido com sua família, para encontrar seu próprio lugar entre milhões de Paulistanos vorazes.
Não havia amigos ou familiares morando por aqui, e logo em sua chegada a oportunidade lhe sorriu.
Tocou o campainha do apartamento 38, seu novo endereço nessa jornada. Martina que acabara de chegar do trabalho , lhe recebeu com sua natural simpatia. Ele ainda acanhado, reparava no espaço de canto de olho, tentando assimilar. Enquanto ela falava alto e gesticulava cada frase , características herdadas de sua avó materna, que imigrou da Itália durante a Segunda Guerra.
Entre uma olhada rápida na sala , e o corredor, surgiu uma porta amarela, fechadura antiga e pesada.
- Entre ! Vamos la Jorge, me diga o que acha de seu novo quarto. - Encorajou Martina.
Ele abriu a porta devagar, garantindo que o pé direito estaria a frente , e acendeu a luz. Era um cômodo simples , com uma cama antiga, uma pequena mesa ,e a janela que apontava para a movimentada 23 de maio.
Jorge abraçou Martina, com um sentimento de gratidão ,pois não encontrou palavras para expressar o alívio.
Ela sorridente , logo quebrou o momento emocionante do rapaz e disse:
- Se não quiser, posso encontrar outra pessoa -brincando com o emocionado rapaz.
- Martina , não tenho como agradecer, e eu seria louco de não aceitar-respondeu Jorge com o brilho nos olhos.
- Pois bem, traga suas coisas para cá e fique a vontade. Ahora preciso sair , mas deixo a chave para você ok?
- Nem sei o que te dizer, agradecido mesmo.E pode contar comigo daqui por diante.
Martina iria encontrar com suas amigas, e achou por bem deixá-lo a vontade para se instalar em sua nova morada.
Jorge estava ansioso pelo seu primeiro banho, depois de tanto tempo usando o banheiro compartilhado do hotel, que podia pagar.
Após a ducha começou a descobrir seu novo espaço , e logo se viu sentado na sala, assistindo tv, e imaginando o que faria a partir dali.
"Começar de baixo me trará caminhos para boas oportunidades" pensava consigo mesmo, imaginando qual caminho deveria se empenhar.
Desde cedo se dedicou ao trabalho, um pouco de tudo , ali e aqui, mas até agora, aos 30 anos, não havia verdadeiramente se encontrado. E vir para São Paulo era um meio que havia encontrado para descobrir o que realmente queria ser dali por diante, sem podas de família, ou pressão de amigos.
Tão logo abriu o cortina , e ali percebeu a velocidade que a cidade funcionava. De frente para um dos maiores corredores de transporte da cidade, começou a ver que precisaria agir com mais rapidez do que em sua terra natal.
Estava impressionado, porém, aquilo servia de combustível para alguém disposto, como estava naquele momento.
Após 2 horas admirando a vista , como se estivesse vendo o mar pela primeira vez, Martina e sua amiga Giordana tocaram a campainha, ela tinha a chave, mas queria ver a reação do novo morador.
Jorge espiou pelo olho mágico, e la estava Giordana parada , fazendo pose de séria.
"Quem será essa moça a essas horas?"
Desconfiado como sempre, Jorge antes de abrir questionou:
-Quem é?
Logo Giordana e Martina caíram na gargalhada, e abriram a porta.
- Parabéns, você passou no primeiro teste para morar em São Paulo. - disse Martina.
Ele meio sem entender direito, sorriu e se apresentou a amiga. Giordana que também era Portenha, veio para a capital paulista logo após Martina,e sempre foram o porto seguro uma da outra por aqui.
-Jorge, esta é minha hermana , Giordana. Sempre estamos juntas, portanto, considere ela de casa, combinado?
-Se é sua hermana, pode contar que será minha amiga também.- respondeu Jorge.
-Benvenido Jorge, espero que esteja feliz em sua nova casa- comprimentou Giordana.
-Agradecido, agora vou me deitar, amanhã tenho um longo dia de procura e preciso estar esperto para o que venha a aparecer no meu caminho, assim como apareceu nossa amiga aqui. — com olhar de gratidão e admiração para Martina.
(CONTINUA…)
