Na rua, na chuva, na sorte

Terça-feira. São Paulo com muita chuva, um verdadeiro temporal. Sete horas da noite.

Não é um tranquilo passeio no parque. Não é calmo, não tem pessoas educadas, bem humoradas e de bem com a vida. São condições que não ajudam a vida de ninguém.

Nessa mesma terça eu precisava ir até o Palestra Itália ou Arena Palmeiras, assistir o show de um tal de Paul McCartney. Como se locomover nessas condições?

A melhor opção era ir de táxi. Mas conseguir um carrinho branco não estava tão fácil assim quanto ficar com o tênis encharcado. A Tássia, que ia ao show comigo, falou para tentar também a sorte com algum na rua.

É ai que o acaso e/ou coincidência e/ou sorte, acontece. Enquanto esperávamos dentro da guarita do prédio, nós vemos um táxi parando. Achamos que era ao nosso sinal. “Finalmente alguém com boa alma”, pensamos. Mas não.

O senhor esperava a Dona Martha. Ali na hora, com meio guarda-chuva cada um, até que tentamos argumentar: “Confere se ela não vai ao show, quem sabe”. No momento que eu estava voltando (ainda sem táxi), vejo a Dona Martha me chamando, umas duas casas pra direita. “Pra onde vocês estão indo?”, perguntou a simpática senhora . Respondemos e ela deu risada. “Eu vou pra Paraguaçu, vocês podem ir comigo sim, é só me deixar primeiro”. Pronto. Era o nosso dia!

De quebra a Dona Martha era engraçada. Com seus 80 anos e ainda professora de português, reclamava: “Esses meninos não estudam nada o ano inteiro, chegam agora no final do ano e querem aprender tudo pra passar na recuperação e no vestibular”. Pois é, Dona Martha, algumas coisas nunca mudam.

Chegamos no estádio e deu tudo certo. Cantamos a plenos pulmões “Hey Jude”. Na chuva, claro. Inesquecível.

Às vezes parece que a vida acontece nos acasos.

Acho que vou confiar mais nos acasos. E levar umas flores pra Dona Martha.

Paul in Sampa
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