Eu gosto tanto disso aqui. Do silêncio da manhã, do roçar dos cobertores macios, do barulho do ar-condicionado, da meia luz do dia ensolarado que promete ser, do gostinho de sono que fica na boca.

Assim, eu gosto mesmo é da calmaria das coisas, do fazer por ter vontade de fazer, não pela obrigação de ter que acordar e encarar o mundo e seus afazeres sem sentido, que só me fazem ter raiva da raiva que eu sinto que nem tem sentido, tipo uma roupa que deve ser lavada e só isso, coitada da roupa que é xingada por mim até o último fio de algodão.

Na mesma medida eu já não gosto tanto da calma, gosto da agilidade, da prática, do “VAMO QUE VAMO” ou do “mais rápido começa mais rápido termina”. Sou duas em uma só, sempre falei isso, sou o furacão e a calmaria, nem sempre de um jeito equilibrado, quando tem que ser uma sou outra.

É complicado já que nem sempre acompanho como o mundo pede que eu seja naquele momento, estou sempre deslocada. Uma tristeza, eu queria muito me encaixar, fazer o que tem que ser feito, mas é tão difícil quando o cobertor tá quentinho e macio, só me resta a culpa de mais tarde, por ter sido a outra que não deveria estar sendo agora.

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