Quem há de saber?

Uma folha
Um calendário
Muitos números disputam meu olhar
Datas previamente marcadas
Aguardam a hora exata de entrar
Tudo tão fácil
12, 27, 31
O que virá depois daqui?
O amanhã nunca acabará
O presente sempre transmuta
Cada dia, uma outra hora
Passos incertos
Ponteiros sem relógio
Alguns devaneios por agora
Quem há de saber?
O que há depois dos ponteiros
O que fazer para pará-los
Quem há de saber?
Tempo, espaço, infinito
Corro sem pressa do futuro
O fim que se aproxima
Entraremos na última estação
Será tarde demais
As lembranças se perderão
Senhor do tempo
Eternize-me
Enterre-me aqui
Ao lado dos essenciais
O momento está perfeito
E o medo do desconhecido me assola
Antes o agora
Estável e concreto
Quem há de saber?
Ainda posso me surpreender
A mágica da incerteza
O depois do amanhã
Quem há de saber?
Ainda é preciso viver