Terça-feira.

Quatro meses atrás numa terça de madrugada aconteceu o que já se imaginava mas não se esperava que fosse tão cedo. Lembro que na hora a ficha demorou bastante a cair, quando caiu também foi de uma vez. Que nem um tapa na cara não tinha mais volta, não tinha mais o que se fazer, deixava apenas a marca. A dor? Dia após dia cê aprende a lidar e encarar, juro. Aquele foi o dia mais longo que eu já vivi. Semanas a frente toda terça-feira eu acordava no mesmo horário, ouvindo o mesmo grito, sentindo a mesma angústia. Essa parte ai passou.

O que ainda ficou foi o arrependimento, o sentimento de incapacidade, aquele que me diz que eu podia ter feito algo, você sabia que mais cedo ou mais tarde seria assim, porque nunca fez nada?

Porque a gente sempre espera pra se arrepender quando já não tem mais jeito. A gente só acorda quando não adianta mais. Me arrisco a dizer que continua assim. Ai que hipocrisia… to aqui escrevendo e tendo consciência de que em quatro meses não mudei uma única atitude. Não alguma que eu considere relevante. Covarde.

Hoje é terça-feira de novo. A diferença dessa pra aquela de antes é que nessa talvez algo pior que um fim súbito seja revelado. Só de imaginar que hoje pode ser ela, depois aquela, depois essa, elas, eu e as próximas… O que pode ser pior? Pra mim seria algo que te force a sobreviver ao invés de viver.

Engraçado, era isso que eu ouvia dele antes de ir embora:

“Tenho sobrevivido, viver mesmo só quando eu não existir mais nesse mundo.”

Ufa, espero que agora você esteja bem então. Algo me diz que cê tá melhor que a gente aqui. Tomara que aqui não piore muito.

Não sei até aonde iria o dano, não quero pagar pra ver.