CHUVA

Essa é só mais uma tentativa de colocar um ponto final, de apagar as reticências de um tempo em que vivi sem lembrar que há mais do que vírgulas. Vírgulas que me ensinaram a respirar, pensar que haveria um amanhã nas noites mais curtas.

Mas depois daquela noite, não houve.

As lágrimas nos olhos dela que posteriormente molharam meu uniforme, só foi um sinal de que naquele dia choveria — e eu ainda não tinha perdido o medo de tempestades. E choveu.

A vi na chuva que escorreu sobre ela até que eu percebesse que não haveria mais nós. Até que eu percebesse que as águas no rosto dela eram também o nosso amor. E ele secou.

Tua vida merecia paz, toda a paz que nosso amor não proporcionou. A chuva, pra mim, não passou. Foram meses de tempestade e poucos dias ensolarados, até que perdi o medo da chuva.

Eu me vi tentando reiniciar durante meses. Procurei por ela em cada esquina, cada corredor, cada garota que eu me deitava. As tentativas em vão de esquecer me frustaram durante todo esse tempo. Parei de procurar. Parei de esperar. A chuva veio e eu nem mais senti. O dia se abriu e foi só mais um dia normal. Parou de chover.

O meu amor também havia secado.

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