Precipitação

Mesmo que chova como sempre quando faz noite em nossas casas. E o céu gelado em nossas salas nos convide a cair de sono, pela paz imposta no silêncio da nossa fé. Os quadros continuam fazendo menção aos horizontes mortos, que existem para suprimir o brilho que resta no mais intimo da nossa espera.

Esperamos uns aos outros, com o mesmo tom inaudível de voz, dizendo que não aguentamos. Certamente diríamos mais:

- Sempre existiram cores, em algum canto, mas esquecemos, como as crianças que esquecem seus tesouros entre as décadas, e depois passam a viver tentando lembrar, de algum canto, alguma lembrança empoeirada num lugar seguro, fora do seu caminho. -

Se pudéssemos retornar numa direção contrária à essa, e sentíssemos em nossos dedos, a textura de mil coisas que nos encardia de vida e sol. Talvez nos lembrássemos.
E em qualquer lugar, em qualquer estação, numa casa cheia de rastros, tão cheios da corrente de ar invadindo nossas paredes. Não nos esconderíamos da chuva.